Potencial de inteligência do automóvel

Decorreu esta semana a segunda edição do Fórum Nissan da Mobilidade Inteligente, onde a eletrificação, condução autónoma e conetividade foram temas centrais do debate. Uma verdadeira demonstração da forma como os carros vão mudar e, consequentemente, revolucionar o mundo onde vivemos. Descubra agora a revolução que está a ocorrer na mobilidade e a chegada dos automóveis inteligentes.

Decorreu este dia 7 de fevereiro, na Cidade do Futebol, a 2ª Edição do Fórum Nissan da Mobilidade Inteligente. Com o objetivo de tratar toda a alteração do paradigma do mundo dos transportes e da mobilidade, e da forma como ele terá impactos nos mais diversos aspetos da vida das pessoas, esta foi uma verdadeira viagem ao futuro do que será o mundo. Um futuro que, no entanto, está já a ser construído, como mostraram o novo Leaf e outros projetos que estão a ser desenvolvidos pela marca nipónica e por alguns dos outros intervenientes no evento, falando de vários temas que, até bem recentemente, apenas poderiam ser considerados como ficção científica.

O Pontapé de saída do Fórum Nissan da Mobilidade Inteligente

Sendo o evento realizado no espaço criado pela Federação Portuguesa de Futebol como a casa das seleções, parece-nos apropriada uma metáfora sobre “o mundo da bola”, indicando que o pontapé de saída pertenceu ao Diretor-Geral da Nissan Portugal, António Melica. Ele foi o responsável por dar o mote para este evento, onde se falou do automóvel inteligente e da forma como ele irá transformar o mundo com as suas motorizações elétricas, capacidades de viajar autonomamente e pela conetividade, que lhe permite comunicar com infraestruturas e outros automóveis mas também tornar-se parte ativa do mercado de energia.

Por esse motivo, não espanta que tenha sido destaque a presença no evento do novo Nissan Leaf, que, juntamente com a e-NV200, é considerado o testemunho da forma como esta transformação está já em curso. Especialmente pelo percurso efetuado pelo elétrico mais vendido do planeta, com 300.000 unidades entregues desde que surgiu em 2010 quando praticamente ninguém acreditava na viabilidade desta alternativa, e depois pela nova geração, que inclui o ProPilot com capacidades de piloto automático em determinados momentos e ainda um sistema para a transferência de energia para as habitações. Reconhecendo essas capacidades, Antonio Melica afirma que esta mudança para a Mobilidade Inteligente “já não pode ser para alguns, tem de ser para todos”.

Até pelo impacto que esses “alguns” já tiveram no ambiente nos últimos sete anos, pois os quatro mil milhões de quilómetros percorridos evitaram o envio de 1,5 milhões de toneladas de CO2 para a atmosfera, o equivalente ao alcançado por 90 milhões de árvores. Algo que foi acompanhado da instalação de 4700 carregadores CHAdeMO por parte da Nissan, um exemplo da necessidade da introdução de infraestruturas capazes de responder à crescente procura por estes modelos. Algo comprovado pelos números, pois após 1000 unidades vendidas em sete anos no mercado, a segunda geração do Nissan Leaf já recebeu mais de 600 encomendas em três meses…

Segundo Antonio Melica, esta é a prova da crescente aceitação dos modelos, indicando que a pretensão da marca em democratizar estas motorizações está a colher frutos. Por isso considerou que a segunda edição do Fórum Nissan da Mobilidade Inteligente é o palco certo para demonstrar todo o ecossistema elétrico Nissan, interligando os veículos, energia, infraestruturas e tecnologias de baterias. O Diretor-Geral para solo nacional conclui que de momento o fabricante nipónico tem “o produto certo, com a tecnologia certa, no momento certo”, e que cada vez existe mais procura por estes modelos. Por isso, esta conferência serve para mostrar o futuro, e a “transformação da forma como conduzimos e como vivemos”.

João Matos Fernandes, o Ministro do Ambiente, tomou depois a palavra para referir o papel dos governos nesta revolução e a forma como ela é uma necessidade crescente. Começando por brincar com as suas recentes presenças em público, ao afirmar que tem “aparecido a falar de coisas mais líquidas”, destacou desde logo como o novo posicionamento demonstra a relevância do tema.

Explicando que “andávamos a arrumar caixinhas”, Matos Fernandes explica que isso faz parte do passado com a integração da Mobilidade Inteligente no Ministério do Ambiente, englobando a tutela dos transportes coletivos urbanos e outras áreas deste tema. Isto porque a forma como nos movemos, afirma, “tem impacto ambiental” além de territorial. Segundo refere, com a necessidade de reduzir em 34% as emissões até 2030, objetivo estabelecido no Acordo de Paris, os transportes acabam por ser um desafio maior do que a indústria.

“A transformação da indústria é a que menos me preocupa, as chaminés podemos contar, mas não podemos contar os tubos de escape”. E, refere que essa questão é tão importante porque deriva do comportamento de cada cidadão, deixando por isso elogios à forma como “a Nissan não ficou à espera que outros tivessem sucesso” e deu origem à revolução da eletrificação com o Leaf. Recordou, aliás, que tanto ele como o Primeiro-Ministro já utilizam um carro elétrico, e especificamente este modelo da marca asiática, para as suas deslocações dentro da capital.

O Ministro do Ambiente não deixa de destacar outras alternativas, afirmando que “sou fervoroso apoiante dos comboios elétricos” mas enfatiza como a alteração primordial terá de ser feita ao “rolar elétrico no alcatrão”. Daí que tenha abordado o impacto que o governo tem de ter nas infraestruturas, através da instalação da rede que abarca todas as autoestradas e brevemente estará presente em todos os municípios. Voltou também a recordar que de momento está a ser necessário recuperar o atraso e a desconfiança bacoca, algo para que não deixa de recordar o impacto de ter estado “congelado quatro anos” o processo de instalação de postos. Este é um tema que o Secretário de Estado e do Ambiente, José Gomes Mendes, já tinha abordado na última semana e que voltou a ser falado na segunda Conferência de Mobilidade Inteligente.

João Matos Fernandes fez ainda questão de congratular a forma como as empresas nacionais se conseguiram afirmar nesta área. Ele recorda mesmo que “nunca vi setor tão regulado como os transportes, e a indústria portuguesa foi capaz de se mostrar competitiva”. Para tal refere a importância da eliminação dos anteriores “cadernos de encargos ” que deixavam fora de jogo a indústria nacional destes negócios, dando como exemplo o concurso ganho pelos autocarros elétricos produzidos na fábrica da Salvador-Caetano.

O próprio papel do Estado ao abraçar esta mudança foi destacado, pois na recente aquisição de 175 modelos de emissões 0, “não conseguimos satisfazer toda a procura”. E a própria metodologia utilizada explica isso, pois foi introduzida uma regra para que ao adquirir um modelo com motor de combustão é necessário abater dois automóveis da frota do estado, mas pela compra de um elétrico para eliminar um veículo.

E o papel do Estado surge também na atribuição de verbas, com destaque para o Fundo Ambiental. Matos Fernandes recorda que ele tem origem em quatro fundos que existiam anteriormente, e cuja execução global estava habitualmente abaixo dos 60% e que atingiu, excecionalmente, 75% no melhor ano. Uma grande diferença em comparação ao que afirma ser a execução de 94%, num total de 130 milhões de euros, durante o primeiro ano. Mas também pela descida nos custos de gestão com este montante dos anteriores 4,5 milhões de euros para apenas 700.000€.

Outra das apostas foi para a introdução de uma economia circular, com a meta na “inexistência completa de desperdícios”. O que se explica porque se no campo da energia temos de ser eficientes, já “o mesmo não podemos dizer dos materiais” que, ao contrário do sol, vento e fontes hídricas, são finitos. O Ministro afirma mesmo que ao contrário da indústria 2.0, “o meu sucessor não poderá falar de uma Terra 2.0”. Por isso enfatiza a necessidade de uma mudança de paradigma, em que “temos de caminhar para o modelo em que os consumidores passam a ser utilizadores”.

Esta expressão entronca, segundo o Ministro do Ambiente, no tema do Fórum Nissan da Mobilidade Inteligente, pois exige também dos governos uma mudança de comportamento. Especificamente, que passe a existir uma política ativa, ao contrário da prática de apenas reagir que tem sido a regra aplicada durante décadas. A primeira fase afirma, está na mudança das infraestruturas, seguindo-se uma mudança de paradigma e de mentalidade das pessoas. E com um curioso exemplo, pois explicou que apesar de ter um período de vida útil de apenas 12 minutos, um berbequim dura 40 anos em casa das pessoas! Por isso, a partilha é a solução para reduzir o consumo de bens escassos, algo que também se aplica aos automóveis. “Não preciso de um carro meu. Preciso de um carro que me transporte”.

Uma mudança da propriedade do carro para o “car-sharing” e também com importância para a aposta nos transportes coletivos de passageiros. Neste último ponto existem sempre a imprevisibilidade de algumas viagens não partilhadas e um conjunto de deslocações para que se exige o carro. Mas, segundo o Ministro, não obrigatoriamente numa viatura própria…

Após a Sessão de Abertura a cargo de Antonio Melica e João Matos Fernandes, seguiram-se três painéis especificamente dedicados aos temas do segundo Fórum Nissan Mobilidade Inteligente. Neles foi feita uma análise temas da Condução Inteligente, Energia Inteligente e da Integração Inteligente. Não perca as reportagens alargadas a cada um desses temas durante este fim-de-semana no site da Turbo…

Nuno Fatela

 

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