Limpeza das mãos pode influenciar testes de alcoolémia?

Um estudo realizado nos Estados Unidos mostra que, quando utilizados em ambiente fechado, os líquidos de limpeza das mãos que têm álcool podem dar origem a resultados errados nos testes para deteção do consumo excessivo de bebidas alcoólicas.

“Bebeu alguma coisa?

“Não. Mas acabei de desinfectar as mãos…”

Esta poderá ser uma conversa habitual entre agentes da Polícia nos Estados Unidos e os possíveis suspeitos do consumo excessivo de bebidas alcoólicas. Isto porque um novo estudo veio afirmar que os líquidos e espumas de desinfecção das mãos que tenham álcool podem, quando utilizados em espaços fechados, ter influência nos resultados das análises.

A razão é que estes líquidos e espumas podem emitir vapores que se dispersam pelo ar. O problema reside no facto de, quando os testes de alcoolemia são realizados com o dispositivo conhecido como etilómetro (o famoso bafómetro do país-irmão) em ambiente fechado, pode surgir a indicação de erro ou mesmo falsos-positivos.

Para tal foi feita uma investigação com 65 polícias numa sala com ventilação controlada. Nos 130 testes realizados, em metade deles os polícias utilizaram uma espuma de desinfecção das mãos ou um líquido similar (como o Purel tão apreciado pelo Sheldon da série The Big Bang Theory). Destas análises resultaram 41 resultados com a indicação de “erro” e ainda 13 (10% do total) com falsos positivos em que era indicado que as pessoas tinham consumido em excesso bebidas alcoólicas, mesmo sem terem consumido nada com álcool.

É referido que este estudo, publicado no Journal of Forensic Sciences, tem algumas limitações, mas sem dúvida que mostra como é importante cumprir os procedimentos corretos durante estas avaliações com o etilómetro. Porque uma das indicações referida em diversas jurisdições nos Estados Unidos, onde a investigação foi realizada, é precisamente de que não deve ser utilizado qualquer tipo de álcool antes de realizar estas análises, para evitar que qualquer outra substância possa influenciar o resultado.

Fonte: Gizmodo e The Journal of Forensic Sciences