Numa era em que agências espaciais estatais e empresas privadas pensam na colonização de Lua e de Marte, a NASA está a tentar ir mais além, com planos a longo prazo para enviar uma sonda ao sistema solar mais próxima do nosso Sol, Alpha Centauri. O objetivo é celebrar o centésimo aniversário da alunagem da Apollo 11 com o início de uma missão para analisar diretamente um exoplaneta, com partida prevista para 2069.

Alpha Centauri é um sistema composto por três estrelas, Rigil Kentaurus (tipo G, tal como o Sol), Alpha Centauri B (tipo K, ligeiramente mais fria) e Proxima Centauri (anã vermelha), a uma distância de cerca de quatro anos-luz. Mesmo assim, a NASA necessita de criar tecnologia de propulsão que permita ao veículo espacial atingir 10 por cento da velocidade da luz (ou seja, até 30 mil quilómetros por segundo), para poder reduzir o tempo de viagem. Esta não demoraria apenas 45 anos, pois seria necessário acelerar até esta velocidade e depois travar quando atingisse Alpha Centauri, e isso deveria acrescentar mais algumas décadas à viagem.

A NASA está a considerar várias propostas, algumas das quais ainda não existem de nenhuma forma com a tecnologia atual. A mais simples seria propulsão nuclear, mas também existe a possibilidade de usar colisões de partículas de matérias e anti-matéria, ou uma espécie de velas cobertas de células fotovoltaicas, capazes de concentrar a energia recebida num feixe de laser. Esta última é a favorita dos engenheiros envolvidos no projeto.

Outras tecnologias que a NASA necessita para esta missão incluem comunicação via ótica, impressão a três dimensões que funcione no espaço, computação genómica (usada para compreender sequências genéticas) e, como peça central, inteligência artificial que possa não só proceder a afinações da velocidade e navegação da nave, mas também análise de dados da sonda e transmissão de informações de um modo preciso.

O sistema de Alpha Centauri tem apenas dois exoplanetas confirmados, Bc, à volta de Alpha Centauri B, e Cb, à volta de Proxima Centauri. A missão principal da expedição de 2069 é a descoberta de vida em qualquer exoplaneta do sistema.