Há quem diga que não existe má publicidade e que o fundamental é que, bem ou mal, se fale. O caso do mais recente SUV da Hyundai, o Kauai é, sem o querer, um exemplo perfeito. Com efeito, o novÃssimo modelo da marca teve uma revelação muito falada em Portugal, mas não por qualquer caracterÃstica técnica ou funcionalidade inovadora.
Antes, pesou sobre si a responsabilidade de mais um nome de batismo proscrito para o mercado nacional: Kona. Daà que rapidamente a Hyundai Portugal tenha tido de lidar com o problema num esforço que, hoje, os responsáveis da marca no nosso paÃs olham com humor e com relativa tranquilidade, falando de um processo de mudança que foi mais simples do que seria de supor à partida.
Sem saber do problema que estaria a causar a Portugal, a casa-mãe da Hyundai manteve a lógica de dar nomes de locais exóticos da América do Norte aos seus SUV – assim é com o Tucson e com o Santa Fé (e Grande Santa Fé), como antes foi com o Borrego. Daà que, olhando para o arquipélago do Havai, a Hyundai tenha encontrado em Kona a denominação perfeita, simbolizando “a imagem enérgica e estilo de vida único da Grande Ilha do Havai”, como se pode ler no press-release original. Só que na lÃngua portuguesa – mais especificamente em Portugal, não tanto no Brasil – a palavra tem uma carga negativa por ser o calão do órgão genital feminino. Mal souberam da denominação, os responsáveis da Hyundai Portugal trataram de informar a casa-mãe, tratando igualmente de encontrar uma solução.
Paulo Ferreira, diretor de comunicação da marca, recorda que à primeira referência do nome original, “nem sequer se colocou a hipótese de ser vendido assim no nosso paÃs. Não podia ser. Pelo que tÃnhamos de encontrar outra solução”.
Essa acabou por ser encontrada no mesmo quadrante geográfico, numa das outras ilhas do Havai, onde o exotismo e o jogo linguÃstico se combinavam para oferecer o mesmo efeito que o original. Daà que se tenha encontrado o termo Kauai, o qual, segundo o mesmo responsável, “foi proposto por nós, trabalhando em conjunto com a nossa agência [de comunicação] e aceite pela divisão europeia, que, diga-se, foi de grande assistência, tratando até do detalhe de diferenciar os materiais de comunicação”. Para a marca, destaca, até a fonética parece “soar melhor” em português.
De resto, o esforço de lançamento e de promoção tem muita ‘mão’ da Hyundai Portugal e da agência com que trabalha em parceria, “havendo muitos materiais que nos são enviados pela marca em aberto, mas já com o tipo de letra definido, por exemplo”.
Um detalhe que, de acordo com Paulo Ferreira, secundado pelo diretor da Hyundai Portugal, Ricardo Lopes, demonstra o nÃvel de cuidado que a marca dedicou ao mercado português nesta situação, “mesmo sendo um mercado de pequena expressão numa Europa onde se vendem cerca de 500 mil carros por ano em comparação com as cerca de 3.000 unidades da marca no nosso paÃs”.

O mesmo sucede com as insÃgnias ‘Kauai’ que surgem na carroçaria e identificam este novo SUV da Hyundai – é já tudo preparado na produção do veÃculo, numa “situação única para a marca a nÃvel mundial”.
Este novo SUV é um dos mais recentes esforços da companhia coreana no seu caminho para atingir o objetivo proposto de se tornar na maior marca asiática na Europa em 2021, num plano que prevê 30 novos modelos e derivados. Outros representantes dessa estratégia são os novos i30 N e i30 Fastback.
Recorde-se que o Kauai foi apenas mais uma das ‘vÃtimas’ de nomes menos atrativos nalguns mercados, estando longe de ser caso único. Há muitos anos, a Opel teve um problema semelhante em Portugal com o seu Ascona (nome de uma cidade suÃça homenageada pela marca alemã) a ter denominação alterada no nosso paÃs. Outros casos famosos são o do Honda Jazz, nome pelo qual é conhecido na Europa porque o original Fit se confundia na Escandinávia com o mesmo jargão referente ao órgão genital feminino que o Kauai, ao passo que o Mitsubishi Pajero teve de ser convertido em Montero em Espanha porque o original era um termo insultuoso para aqueles que apreciam a prática da masturbação.
