Tem 110 anos e ainda fuma o seu charuto e guia a velha pick up

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Rui Pelejão
Rui Pelejão
Editor-Executivo

“Adoro conduzir”. Há um sorriso quando diz isso, um sorriso de liberdade. Poucas coisas na vida podem dar uma maior sensação de liberdade do que conduzir.

O seu primeiro carro foi um Ford T. “Ainda não eras nascido? Claro que não eras nascido”, sorri de novo para o entrevistador. “Fumo doze charutos por dia, mas não travo. Sou um fumador saudável”, explica, quase como se fosse uma receita para a longevidade, perdoem-nos os zeladores higieno-sanitários do politicamente correto, mas é ele que o diz.

O homem que fuma os seus charutos e ainda conduz a sua velha pick up Ford F-100 de finais da década de 70 chama-se Richard Alvin, nasceu em 1906 e é o mais velho veterano da II Guerra Mundial ainda vivo.

A história simples da sua vida é contada num pequeno e austero documentário da National Geographic, realizado por Matt Cooper. Austero porque se limita a escutar a simplicidade da história e a deixar brilhar o sorriso de Richard Alvin.

Quando se associa velhice e condução tem-se sempre a ideia de que vem um idoso atarantado em contramão na autoestrada, ou que circula vagarosamente no seu papa-reformas no meio de uma via congestionada, a atrapalhar o trânsito como numa música do Chico Buarque.

Nunca pensamos na nossa velhice e no que nos custará, por exemplo, deixar de poder conduzir. Essa pequena liberdade que nos faz tão livres como este veterano militar de Austin. É por isso que esta história simples, de Richard Alvin a guiar a sua velha Pick up para a mercearia ou para igreja é tão tocante.

Não é pela longevidade da sua vida, não é pelo insólito centenário condutor, bom para o clicabaite, é porque nos faz olhar para as coisas simples da vida com um outro amor.

Quem nos dera poder guiar tão felizes como Richard Alvin, até ao fim das nossas vidas. “Sinto-me bem a conduzir, gosto de ser eu a guiar, porque os outros condutores são meio malucos”, diz. E a julgar pelas imagens, Richard Alvin ainda guia “like a boss”.