Porsche 356 da GNR: da apreensão ao ‘serviço público’

Cada modelo tem a sua própria história de vida. Alguns são um livro aberto a esse respeito, outros nem tanto, mas independentemente disso, todos são únicos no seu percurso.

Entre os muitos Porsche que estiveram presentes na 1ª edição do Iberian Porsche Meeting, houve um em particular que centrou grande parte das atenções de miúdos e graúdos, aquando da partida em Cascais, no último fim de semana. Podia não ser o mais antigo, o mais potente, o mais raro, ou o mais bonito, mas era o único que estava de ‘serviço’ pela Guarda Nacional Republicana.

Aqui deixamos a sua história:

Entre mais de 350 Porsche, ver chegar um com dois agentes da autoridade é natural motivo de destaque para as atenções, mesmo num evento Porsche, em que, por isso mesmo, só esperamos carros da marca alemã de todo o género e feitios.

Fomos por isso perceber que veículo era aquele e o motivo para a sua presença ali, a par do óbvio, a marca. O Porsche em questão era um 356 que datava de 1961. O curioso está na sua origem, como nos explicou o Cabo Manuel Henrique Coelho Matias, da Unidade Nacional de Trânsito: “O veículo foi apreendido na altura pela Direção Geral de Viação e verteu à Guarda Nacional Republicana, que ficou responsável por ele mais ou menos a partir de 1977. Este é um Porsche 356B 1600.”

Nas mãos da GNR, foi então convertido para serviços específicos: “Andou um tempo em serviço para provas de ciclismo e rondas, depois, mais tarde, passou a ser só carro de cerimónias e exposição”, função desempenhada no Iberian Porsche Meeting para gáudio dos muitos presentes que nele puderam tirar fotografias.

Apesar da aparência ‘fardada’, o modelo encontra-se em estado original: “Alterámos só a pintura, que era cinza e foi pintado de branco, e a parte dos emblemas, para ficar caracterizado pela GNR. Tem também um aparelho de comunicação dos antigos, que se utilizavam na altura, com um micro a que estava também ligada a sirene. Ao longo dos anos temos conseguido mantê-lo sempre a trabalhar e com tudo o que precisa.”

Quanto à reacção do público, o Cabo Manuel Henrique Coelho Matias é perentório ao dizer: “É uma grande satisfação ao verem-no. O carro é bonito e está estimado, é um clássico e já há poucos carros destes. As pessoas gostam muito de o ver, ainda para mais sendo descapotável.” O sucesso em seu redor foi inegável e, quem sabe, talvez o voltemos a ver na edição do Iberian Porsche Meeting do próximo ano, na vizinha Espanha.

André Duarte

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