Mercedes-Benz 680S Torpedo Roadster: 8 milhões de dólares de automóvel

Durante os anos 20 e 30, a Mercedes-Benz era simultaneamente uma marca de luxo e uma marca desportiva, de um modo que a Rolls-Royce e a Hispano-Suiza nunca tentou ser, e à qual e a Bugatti e Stutz nunca tiveram uma resposta adequada. O primeiro modelo desenvolvido da fusão da marca com a sua então rival Benz foi também o primeiro a usar nome Classe S, que quase um século depois é sinónimo de qualidade.

Em 1926, Ferdinand Porsche ainda não tinha fundado a sua marca e era empregado da nova Daimler-Benz. Nesse ano, tinha entrado em produção o W 06, ou Typ S, cujas versões eram conhecidas pela sua nomenclatura de potência. No entanto, se o nome 26/120/180 não dizia nada ao público, foi baptizado como 680S, indicando a nova cilindrada de 6789 cc do motor de seis cilindros em linha com compressor volumétrico que tinha usado no Série K. O motor debitava 180 cv nesta fase de lançamento, mas o mais importante é que era usado, em conjunto com a transmissão, como membro do chassis, contribuindo para torná-lo um dos automóveis mais seguros da época.

Como era habitual na época, os automóveis de luxo eram completados em carroçadores, que modificavam cada exemplar conforme as especificações do cliente final. Este exemplar que trocou de mãos no leilão da RM Sothebys por $8.250.000, em 2013, foi enviado à J. Saoutchik, que durante a sua história modificou apenas três 680 S. Com carroçaria tipo torpedo (descapotável baixo), este modelo de 1928 é o único sobrevivente deste trio. O seu interior tem madeiras oriundas da América do Sul, enquanto os interiores foram revestidos com pele de lagarto encomendada da Indochina Francesa (Vietname).

O cliente era Charles Levine, que fez fortuna na reciclagem durante a Primeira Guerra Mundial, e que pretendia oferecê-lo à sua esposa. No entanto, não reclamou o automóvel e este foi vendido a um executivo da Standard Oil (futura STP), Freddy Bedford, depois de estar em exibição no Salão de Nova York de 1929. O Mercedes-Benz ficou na família Bedford, que o restaurou em 1982, mas permitiu que fosse exibido num museu durante quase duas décadas. Foi apenas em 2006 que foi adquirido por um par de coleccionadores do Texas, os seus terceiros donos em quase 90 anos.

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