À medida que se aproxima o 50.º aniversário da primeira viagem da humanidade à Lua, a exploração espacial volta a estar na ordem do dia, e a ESA, a Agência Espacial Europeu, quer estar na vanguarda de uma nova vaga de investigação científica no Sistema Solar. Para isso, conta com o apoio da SINTEF, empresa norueguesa de investigação que vai desenvolver novos robôs-serpente para a ESA.

A SINTEF propôs os robôs-serpente em 2013 como forma de melhorar a mobilidade de aparelhos de investigação em ambientes extra-terrestres. Na época, foi explicado que estes aparelhos teriam sido úteis para potenciar a acessibilidade dos Mars Rovers a aceder a locais mais recônditos nas missões da NASA em Marte. Estes robôs irão mover-se rolando sobre si próprios em segmentos, mas também poderão afixar uma parte do corpo enquanto extendem outro segmento.

O movimento serpentino não é ideal para percorrer grandes distâncias, mas em locais mais pequenos tem a forma perfeita para fazer outras funções. Por exemplo, uma das primeiras propostas da Sintef é usar os seus robôs-serpente para realizar trabalhos de manutenção no exterior da ISS (Estação Espacial Internacional), poupando tempo precioso aos astronautas presentes em missões de investigação científica.

Pode parecer um início pouco ambicioso, mas outras oportunidades poderão surgir, com o apoio da Agência Espacial Europeia, que está interessada em fazer mais exploração em cometas. Estes bólides têm informação importante para ser descoberta, sobre as origens do Sistema Solar e sobre a possibilidade de capturar água para uso em missões espaciais. A tentativa anterior da ESA em estudar um cometa, em 2014, resultou em falhanço, devido à falta de gravidade, mas os robôs-serpente têm um movimento mais apropriado para operar nestas condições.

A longo prazo, os robôs-serpentes da SINTEF poderão fazer parte de uma nova missão lunar, defendida pela ESA. Essa missão envolveria a presença humana na Lua durante um longo período de tempo, e os robôs deverão ajudar a construir os túneis onde os astronautas irão viver e trabalhar, bem como para inspecionar as condições do terreno e saírem em missões para recolher objetos para análise.

M. Francis Portela