Dizem que, num futuro próximo, os condutores não vão ser necessários. Dizem que todos os automóveis vão andar sozinhos na estrada. E quando isso acontecer a reação do público vai ser… “Só agora? Pfft!”, seguida de um encolher de ombros. Afinal, um automóvel autónomo não vai ser novidade quando a tecnologia já está mais do que implementada em veículos de quatro rodas, e há mais de uma década.

A “culpada” disso é a NASA, cuja tecnologia foi implantada em… tratores e corta-relvas. Realmente, os primeiros veículos autónomos em terra estão a trabalhar há anos nos setores da agricultura e da jardinagem, com o sistema de GPS da agência aero-espacial instalado nos modelos da John Deere, empresa americana famosa pelos seus veículos de trabalho para utilização agrícola. Tudo começou em 2004, quando a John Deere, tentando autonomizar o trabalho agrícola, substituiu o sistema pouco fiável que usava antes pelo sistema usado nos satélites da NASA.

A John Deere já tinha tecnologia autónoma desde os anos 90 e em 2003 desenvolveu um sistema de GPS que era baseado em transmissão de sinais de rádio à superfície. Embora a margem de erro do sistema fosse pequena, qualquer obstáculo dificultava as comunicações de rádio. Então, em 2004, a empresa americana modificou o seu GPS para aceder aos sinais dos satélites da NASA. A margem de erro foi reduzida a centímetros, o que reduziu bastante o tempo necessário para semear ou irrigar um campo, poupando combustível, mas também água e sementes.

Em 2015, a John Deere deixou de usar a patente da NASA, tendo passado o tempo a refinar o seu próprio sistema. Mas entretanto conseguiu lançar uma gama extensa de veículos autónomos, que podem fazer trabalhos agrícolas e caseiros, incluindo tratores, ceifeiras-debulhadoras e corta-relvas. Muitos têm espaço para um “condutor”, que na prática só está na cabina para realizar tarefas administrativas.

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