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Vendas de carros elétricos disparam na Europa com subida dos combustíveis

Texto: Rui Frias

As vendas de carros elétricos estão a acelerar em toda a Europa em 2026, impulsionadas também pela subida dos preços dos combustíveis fósseis na sequência do conflito no Médio Oriente, entre Israel, Estados Unidos e Irão.

Dados divulgados pela Reuters e por organizações do setor mostram que as matrículas de veículos 100% elétricos (EV) cresceram 34,1% em abril num conjunto de 16 dos principais mercados europeus, entre os quais Portugal, atingindo 201.986 unidades. No acumulado do ano, já foram registados 740.480 automóveis elétricos nesses países, mais 31,3% do que no mesmo período de 2025. Estes mercados representam cerca de 81% das vendas automóveis no conjunto da União Europeia e da EFTA (Associação Europeia de Comércio Livre, que integra Noruega, Islândia, Liechtenstein e Suíça).

Segundo a análise conjunta da New AutoMotive e da E-Mobility Europe, os veículos elétricos representaram 22,5% de todas as novas matrículas em abril, consolidando a tendência de crescimento iniciada no primeiro trimestre do ano.

Em Portugal, a tendência também é clara. Os veículos 100% elétricos representaram 23,2% das novas matrículas em abril e 24,3% no acumulado do ano, acima da média europeia. Segundo os dados disponibilizados, foram matriculados 5.012 automóveis elétricos em Portugal, em abril, e 18.723 desde janeiro, o que traduz um crescimento homólogo de 17,6% nos primeiros quatro meses deste ano, consolidando o mercado português como um dos mais dinâmicos do sul da Europa na transição para a mobilidade elétrica.

A Reuters refere que o agravamento dos preços dos combustíveis alterou rapidamente o comportamento dos consumidores. “Isto não é um episódio passageiro, é um ponto de viragem”, afirmou à agência Gurjeet Grewal, diretor executivo da Octopus Electric Vehicles, empresa britânica que registou um aumento de 95% na procura de veículos elétricos novos e de 160% nos usados durante o mês de abril.

Também fabricantes tradicionais admitem que a procura superou as expectativas. Erik Severinson, diretor comercial da Volvo Cars, revelou à Reuters que as encomendas aumentaram sobretudo para o EX30, o SUV elétrico compacto da marca sueca. “Estamos também a assistir a um aumento das consultas de clientes sobre os nossos modelos totalmente elétricos mesmo nos mercados do sul da Europa, onde a penetração dos elétricos continua relativamente baixa”, afirmou.

Os dados mostram diferenças significativas entre países, mas praticamente todos os mercados registaram crescimento. A Alemanha continua a liderar em volume absoluto, com 223.362 veículos elétricos matriculados desde o início do ano e uma quota de mercado de 25,8% para os elétricos em abril. França atingiu uma quota de 26,2% no último mês e contabiliza 149.148 veículos elétricos registados em 2026.

Um dos casos mais expressivos de crescimento é Itália, tradicionalmente um mercado mais lento na adoção da mobilidade elétrica. As matrículas de EV cresceram 97,2% em termos homólogos no acumulado deste ano, impulsionadas por incentivos públicos que podem atingir os 11 mil euros para famílias de menores rendimentos. Apesar disso, a quota do mercado elétrico em Itália no mês de abril (8,5%) ainda ficou bem distante da realidade do mercado português (23,2%). Pior, no último mês, só Eslováquia (6,6% de quota para os veículos elétricos) e Polónia (5,1%).

Já nos países nórdicos, a eletrificação continua dominante. Na Noruega, 98,6% das novas matrículas em abril foram de veículos totalmente elétricos. A Dinamarca registou uma quota de 81,9%, enquanto Finlândia e Suécia alcançaram 48,8% e 40,7%, respetivamente.

Plataformas de venda automóvel online citadas pela agência Reuters relatam igualmente uma mudança significativa no interesse dos clientes. A Carwow Alemanha indicou que os pedidos de informação sobre veículos elétricos passaram de cerca de 40% para 75% do total desde o início do conflito no Irão.

Os fabricantes chineses também estão a beneficiar desta tendência, sobretudo devido aos preços mais competitivos. A Reuters destaca o crescimento da procura por marcas como BYD, Leapmotor e Xpeng, que registaram fortes aumentos nas pesquisas e pedidos de compra em vários mercados europeus.

Chris Heron, secretário-geral da E-Mobility Europe, considera que os números confirmam uma mudança estrutural no mercado automóvel europeu. “Mais de 740 mil veículos elétricos já foram registados na Europa este ano, com crescimento em todos os maiores mercados do continente. São quase três milhões de barris de petróleo que a Europa deixa de precisar de importar anualmente”, afirmou.

Carlos Miguel Nogueira

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