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Suzuki Katana 2020: Regresso ao Futuro

Do poster pendurado na parede do quarto para as estradas dos dias de hoje vão quase quatro décadas sem nunca ter conseguido andar no modelo original. Apresentada em 1981, o seu aspeto era tão radical que se tivesse entrado no filme “Regresso ao Futuro”, em 1985, bem poderia ter roubado o protagonismo ao automóvel DeLorean do cientista Dr. Emmett Brown.

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O seu design foi executado por Hans Muth, ex-diretor do departamento de styling da BMW, contratado para dar forma ao novo projeto, por isso, não é assim tão estranho encontrar algumas referências da BMW K100 RS, como o farol quadrado e a carenagem em bico. A história repete-se e o atual modelo volta a ser desenhado por alguém de fora, neste caso o italiano Rodolfo Frascoli, um designer com muita experiência no mundo das motos, responsável pelo design de modelos como a Moto Guzzi Griso, a Vespa Granturismo ou, mais recentemente, a Moto Morini Corsaro 1200 ZZ ou a Bajaj Dominar 400.

Tal como a original, a nova Katana tem por base uma GS já existente, ou “gixxer” como lhe chamam os ingleses, a GSX-S 1000

Tal como a original, a nova Katana tem por base uma GS já existente, ou “gixxer” como lhe chamam os ingleses, a GSX-S 1000. Partilham o mesmo chassis e ambas usam uma versão mais “domesticada” do quatro cilindros em linha da lendária GSX-R1000 K5, que existiu entre 2005 e 2008, e produz agora uns simpáticos 148 cv de potência. Parece bastante e é, mas os motociclistas com menos experiência não precisam de ficar intimidados, pois a nova Katana está equipada com o sistema “Low RPM Assist”. Sem darmos por ele, ajuda a manter a rotação no arranque e durante as manobras, pelo que é quase impossível deixar a moto ir a baixo. Já em andamento, a potência é entregue suavemente à medida que rodamos o acelerador. No entanto, contamos com a ajuda do controlo de tração com três níveis de intervenção que podem ser ajustados sem ser necessário parar, a caixa de velocidades é suave e as mudanças entram com precisão.

A posição de condução é bastante confortável, a pender para o relaxada, mas permite termos uma atitude desportiva quando queremos e sem dar cabo das costas. O guiador largo, mais curto do que na maioria das motos “naked”, está à distância certa para a maioria dos condutores. O banco é confortável e estreito, o que proporciona um encaixe perfeito e a sua distância ao solo não causa dificuldades na hora de colocar os pés no chão. Até o pequeno lugar destinado ao pendura aparenta ser capaz de proporcionar algum conforto.

Já as estradas com curvas, a tirarem partido da rotação em 3.ª velocidade, parecem ser o “habitat” natural para a Suzuki que mantém a trajetória escolhida com precisão

A reduzida carenagem frontal deflete o ar da zona do peito, ao desviá-lo para a zona da cabeça obrigando a ajustes na posição para que passe por cima do capacete. Por esse motivo não apetece muito fazer auto-estrada com a Katana. Já as estradas com curvas, a tirarem partido da rotação em 3.ª velocidade, parecem ser o “habitat” natural para a Suzuki que mantém a trajetória escolhida com precisão.

O quadro muito leve, as suspensões com uma forquilha totalmente ajustável e um amortecedor com ajuste de pré-carga e recuperação ambos KYB, são os grandes responsáveis pela agilidade da Katana. Na hora de parar, a única ajuda eletrónica está a cargo do sistema ABS da Bosch e os travões cumprem com a tarefa exigida, embora o travão da frente, com pinças Brembo montadas radialmente, tivesse uma mordida inicial pouco incisiva.

O quadro muito leve, as suspensões com uma forquilha totalmente ajustável e um amortecedor com ajuste de pré-carga e recuperação ambos KYB, são os grandes responsáveis pela agilidade da Katana

Com o comportamento entusiasmante da Katana é fácil darmos por nós a rolar a ritmos elevados e os consumos refletem isso: verificámos uma média um pouco acima dos 6 litros aos 100 quilómetros, o que significa que com o depósito de 12 litros, a autonomia andará perto dos 200 quilómetros. A Suzuki Katana não será a moto certa para os “geeks” que gostam de passar mais tempo a mexer nas afinações eletrónicas do que a andar nas suas motos: não há acelerador “ride by wire”, nem mapas de motor ou quickshifter, e até o ecrã é um LCD, quando a concorrência vem equipada com vistosos TFT. Apenas a iluminação, totalmente em LED, contraria o resto da tecnologia existente nesta Suzuki. No entanto, para todos aqueles que procuram uma moto que transmita confiança, permita evoluir e que seja simples, mas carismática, com uma estética familiar a evocar uma espécie de regresso ao passado, a nova Suzuki Katana é sem dúvida a moto acertada.

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Preço: a partir de €13 999

Ficha técnica

Motor e transmissão:

Tipo: Quatro cilindros em linha, 4T

Distribuição: Duas árvores de cames à cabeça, 4 válvulas por cilindro

Cilindrada: 999 cc

Potência máxima: 150 cv/10 000 rpm

Binário máximo: 108 Nm/ 9500 rpm

Alimentação: Injeção Eletrónica

Transmissão Final: Por corrente

Embraiagem: Multidisco em banho de óleo

Caixa de velocidades: Seis velocidades

Ciclística:

Quadro: Dupla trave em alumínio

Suspensão dianteira: Forquilha telescópica KYB, Ø43 mm, curso 120 mm, totalmente ajustável

Suspensão traseira: Sistema monoamortecedor, curso n.d., ajustável em recuperação e pré-cara

Travão dianteiro: Dois discos de Ø310 mm, pinça Brembo de 4 êmbolos, ABS

Travão traseiro: Disco de Øn.d, pinça Brembo de 2 êmbolos, ABS

Pneu Dianteiro: 120/70 x 17

Pneu Traseiro: 190/50 x 17

Peso e dimensões:

Altura do assento: 825 mm

Capacidade do depósito: 12 litros

Peso a seco: 215 kg

Cores: Preto ou cinza

Garantia: 2 anos

Importador: Moteo Portugal, SA