A decisão da Stellantis de paralisar as linhas de montagem da fábrica de Mirafiori, em Turim, ao longo de toda a próxima semana (9 a 13 de novembro) perfaz quatro semanas consecutivas de inatividade na montagem do Fiat 500.
A medida, comunicada pelo consórcio automóvel e confirmada pela federação sindical FIOM, volta a expor o fosso entre a justificação operacional do grupo e o diagnóstico dos representantes dos trabalhadores.
Oficialmente, a administração atribui a extensão do corte a uma rutura pontual na cadeia de abastecimento de componentes eletrónicos — em particular de microchips aplicados nas unidades de controlo de motor (ECU). Trata-se do mesmo constrangimento logístico que atinge a montagem do Fiat Pandina em Pomigliano d'Arco e que, segundo fontes da empresa, ameaça prolongar perturbações intermitentes até ao final de dezembro.
O sindicato metalúrgico recusa essa justificação técnica. Gianni Mannori, porta-voz da FIOM, considerou publicamente que a escassez de semicondutores funciona como um "álibi", sustentando que o verdadeiro motor da paralisação continua a ser o arrefecimento persistente da procura de mercado pelo citadino italiano.
Com o recurso recorrente a regimes de suspensão temporária de contratos e volumes de montagem muito aquém das metas anuais fixadas para 2026, Mirafiori converteu-se no epicentro da contestação à estratégia industrial da Stellantis em Itália.