Os Fiat 500 na fábrica de Mirafiori. Stellantis
Carros

Fiat 500. Stellantis prolonga paragem em Mirafiori e reacende braço de ferro com os sindicatos

Fábrica de Turim cumpre quatro semanas sem produzir o Fiat 500. Construtor invoca escassez de semicondutores para gestão de motor, mas sindicato metalúrgico denuncia "álibi" para ocultar quebra de procura.

Ricardo Simões Ferreira

A decisão da Stellantis de paralisar as linhas de montagem da fábrica de Mirafiori, em Turim, ao longo de toda a próxima semana (9 a 13 de novembro) perfaz quatro semanas consecutivas de inatividade na montagem do Fiat 500.

A medida, comunicada pelo consórcio automóvel e confirmada pela federação sindical FIOM, volta a expor o fosso entre a justificação operacional do grupo e o diagnóstico dos representantes dos trabalhadores.

Oficialmente, a administração atribui a extensão do corte a uma rutura pontual na cadeia de abastecimento de componentes eletrónicos — em particular de microchips aplicados nas unidades de controlo de motor (ECU). Trata-se do mesmo constrangimento logístico que atinge a montagem do Fiat Pandina em Pomigliano d'Arco e que, segundo fontes da empresa, ameaça prolongar perturbações intermitentes até ao final de dezembro.

O sindicato metalúrgico recusa essa justificação técnica. Gianni Mannori, porta-voz da FIOM, considerou publicamente que a escassez de semicondutores funciona como um "álibi", sustentando que o verdadeiro motor da paralisação continua a ser o arrefecimento persistente da procura de mercado pelo citadino italiano.

Com o recurso recorrente a regimes de suspensão temporária de contratos e volumes de montagem muito aquém das metas anuais fixadas para 2026, Mirafiori converteu-se no epicentro da contestação à estratégia industrial da Stellantis em Itália.

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