O Volvo EX90 Dual Motor não é para todos os bolsos, mas oferece 'design' exterior lindíssimo, luxo no interior e um comportamento de 'tapete voador' em estrada.   FOTO: Volvo
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Volvo EX90. Um gigante a devorar alcatrão

Entre requinte acústico, conforto de spa e modularidade exemplar, o luxuoso sueco brilha em autoestrada, pedindo apenas cautela nas artérias urbanas mais apertadas.

Vítor Norinha

O Volvo EX90 Dual Motor não é, definitivamente, para todos os bolsos, mas a experiência deixou saudades. É caso para dizer que a experiência superou a expectativa e foi pena ter durado poucos dias. É difícil expressar uma opinião sobre este modelo que não seja o permanente superlativo sobre tudo de que se fale. Começamos pelo design: lindíssimo; depois a condução: divina; a insonoridade é topo; o som da Bowers & Wilkins é surreal, melhor do que um concerto imersivo; o conforto: claramente no topo; a motorização: excecional; ou os consumos: elevados, 20,1kWh/100 km, mas em linha com os anunciados pelo construtor.

Apenas um senão: a autonomia que precisa para o mercado nacional deveria ser aumentada. Os pontos de carregamento estão a melhorar, mas ainda são insuficientes em alturas de verão ou de fim de semana com mais veículos na estrada.

Vamos à experiência. Antes de mais apeteceu não devolver a viatura e continuar a usufruir de um lounge de 1.ª classe sobre quatro rodas.

O EX90 é um carro para estrada, de preferência para autoestrada, até porque num carregador rápido de 350kW são precisos 22 minutos para levar a bateria aos 80% de capacidade.

Grande em comprimento, um pouco mais de cinco metros, as manobras são difíceis em garagens para os carros convencionais e em cidade é de evitar os centros históricos, tradicionalmente estreitos.

Fora disso tudo é fácil para este Volvo topo de gama, com muitas superfícies transparentes, conforto de massagens a bordo, tudo elétrico, incluindo os bancos das crianças na terceira fila, pois este é um carro de sete lugares, mas que rapidamente de transforma num furgão, quando segunda e terceira filas estão rebatidas, mas realçamos que seria um furgão de luxo. São 2135 litros de bagageira, mais 46 litros de frunk.

A máquina que experimentámos é o Volvo EX90 Ultra com a configuração Twin Motor Performance e, por isso as acelerações aproveitam a motorização elétrica ao máximo e num veículo de 2,7 toneladas, o arranque dos 0 aos 100km/h é feito em 4,2 segundos, outro superlativo, enquanto a velocidade máxima está limitada aos 180km.

Falamos de uma bateria de 104kWh, com autonomia oficial combinada de 600km, mas que a nossa condução não permitiu mais de 400km, e para toda esta performance foi aplicada uma motorização elétrica de 500kW, um binário de 870Nm e uma potência incrível de 680cv, sem esquecer o sistema elétrico de 800V.

Mas a atração por esta beldade escandinava não fica por aqui. Deixámos os amortecedores e a suspensão pneumática para um novo plano superlativo, pois são eles os verdadeiros heróis desta máquina que está ao melhor nível de entre aquilo que experimentámos nos últimos anos. Chamam-lhe suspensão pneumática adaptativa, ou seja, é um modelo que absorve irregularidades e é quase um “tapete voador”, embora a frase tenha sido inspirada num modelo de outra marca.

Este SUV tem um design superior, mas não sabemos se é melhor, e neste caso falamos dos puxadores embutidos, algo que a marca resistiu a adotar desde há alguns anos, mas que caiu na tentação, sufragada pela lógica da menor resistência ao ar.

O exterior tem todas as características de um Volvo, incluindo a configuração da iluminação a lembrar o “martelo de Thor”, enquanto o interior (e descrevemos interior e exterior sem qualquer sequência porque este é um carro em que é difícil dizer qual o equipamento que suplementa o outro) é dominado pelo minimalismo, a sobriedade, o conforto e a insonorização.

O exterior tem todas as características Volvo, nomeadamente os faróis dianteiros em “martelo de Thor”.

Neste contexto domina a música, com o famoso sistema de som que desde há muito anos acompanha a marca sueca, e falamos do som Bowers & Wilkins de 25 altifalantes, com tecnologia Dolby Atmos, e que nos leva a uma experiência imersiva de uma sala de cinema.

Os controlos interiores, e voltamos ao interior, são dominados por um grande ecrã, que parece o computador de casa, mas há alguns pormenores que não foram esquecidos pelos designers e que resultaram de pedidos expressos dos clientes, como seja o botão para rodar as estações de música, o volume de som ou mesmo a abertura e fecho do áudio. Temos lido criticas de tudo estar dentro do ecrã, onde é preciso navegar, mas a Volvo já nos habituou a ecrãs intuitivos, onde, com o tempo, se torna fácil chegar a todos os sistemas. Não é um problema, é antes a necessidade de habituação.

E o preço? Claro que é só para alguns, e a maioria não pode ter inveja, porque também não haveria unidades do EX90 para todos, mas a Volvo assumiu, há uns anos, que é uma marca premium e a qualidade tem um preço, neste caso o topo de gama elétrico está nos 116.885 euros, com IVA incluído, com o sistema de som a inflacionar o valor final. Este valor inclui algumas soluções únicas como seja a parte de apoio ao condutor com o alerta de trânsito cruzado à retaguarda e com travagem automática a baixa velocidade; ou a câmara de 360 graus com vista 3D; ou os sistemas de mitigação perante uma colisão; a deteção de ocupante; o Blist, o sistema de informação do ângulo morto; a coluna de direção regulável; um ecrã central de 14,5 polegadas; as luzes de píxel; o aviso para pedestres e ciclistas; ou o travão automático em cruzamentos.

E não nos esqueçamos de alguns mimos como a função de massagem dos bancos dianteiros, ou o apoio lombar de quatro posições com regulação elétrica. Algumas particularidades poucos habituais também estão presentes como a pré-instalação para medidor de alcoolemia, os pontos de fixação Isofix ou ainda a proteção contra lesões por chicote.

Em termos de tecnologia temos o expetável, caso das atualizações over-the-air, o Apple CarPlay e Android Auto sem fios, a capacidade 5G, o Google integrado e as portas USB-C.

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