A fabulosa travessia de moto do Yosemite National Park

Francisco Sande e Castro
Francisco Sande e Castro
Jornalista e Escritor

Para entrar no Yosemite National Park, segundo o hippie do Hostel de Bishop me tinha informado, virei para Ocidente na Estrada nacional 120.

Comecei por subir a serra, rumo às montanhas cobertas de neve. A temperatura foi descendo dos 18º que estavam cá em baixo e fui acompanhando a redução dos números no termómetro da “Cross Tourer”. Se baixasse para 1 ou 2º centigrados voltaria para trás pois a estrada estava húmida e a essas temperaturas do ar, formar-se-iam placas de gelo que me atiravam ao chão sem saber como.

Nos primeiros trinta quilómetros não vi qualquer outra moto em ambos os sentidos o que podia pronunciar mau tempo mas, felizmente, embora lá em cima houvesse neve nas bermas da estrada, a temperatura nunca baixou dos 6º. Assim, pude atravessar o parque, que é uma beleza. Sequoias com várias dezenas de metros ladeiam a estrada e cobrem algumas das montanhas desta Serra Nevada, como lhe chamam. Outras são enormes rochas nuas com água a cair dessas elevações em pequenas cascatas que atravessam a estrada e vão alimentar riachos e lagos. Uma maravilha.

Parei aqui e ali para tirar uma ou outra fotografia embora a Go-pro, que levava no capacete a fotografar todo o trajeto, tivesse ficado sem bateria pouco depois de chegar ao cimo da serra. São cerca de 160 Km para fazer a travessia para o lado ocidental. O ponto mais alto da serra tem 4000 metros, mas a estrada não creio que suba a mais de 2000.

Quando saí do parque parei num pequeno restaurante no meio da floresta para almoçar e depois apanhei uma estrada fantástica, ainda na serra, que segue para Norte com sequências de curvas rápidas e longas em muito bom piso e sem controlo policial à vista. Segue-se uma descida mais sinuosa e lenta mas também muito divertida até ao lago New Melones, perto da cidade de Sonora.

Continuei na estrada nacional 49 até apanhar a 50 que atravessa a Eldorado National Forest. Tinha planeado neste dia fazer só cerca de 300 Km até South Lake Tahoe, onde tinha marcado hotel, mas com o trajeto que o hippie felizmente me indicou acabei por fazer mais de 500 Km, muitos deles em estradas secundárias. A parte final, através da floresta em estrada de bom piso foi já de noite mas também me deu imenso gozo.

Este lago Tahoe fica no norte da mesma Serra Nevada onde está o Yosemite Park, a 1900 metros de altitude e, por isso, a temperatura foi baixando à medida que me aproximava da cidade junto ao lago. South Lake Tahoe, como se chama a cidade, tem a particularidade de tal como o próprio lago, ter uma parte que pertence ao estado de Nevada e a outra ao da California.

No Nevada, de que Las Vegas faz parte, o jogo é legal de maneira que, vindo do lado da cidade pertencente à California, com casas e Hotéis de apenas um ou dois pisos passamos, ao atravessar uma rua, para o lado de Nevada com vários prédios altos de Hotéis/Casinos, embora sem o espalhafato de Las Vegas.

Resolvi ficar por aqui mais um dia e, na manhã seguinte, fui dar um passeio até à parte norte do lago. O trajeto é lindo, com enormes árvores a ladearem o lago que tem mais de 30 Km de comprimento e perto de 19 de largura. Algumas praias com areia, trilhos para se andar a pé ao longo das margens e, do lado Norte, uma vila, Incline Village, com casas fabulosas sobre o lago e outra, King’s Beach, muito gira, com pequeno comércio e restaurantes, onde almocei.

A característica mais extraordinária deste local é que tem duas estações turísticas durante o ano. No verão as pessoas vão para o lago tomar banho, andar de barco ou passear nas suas margens e montanhas que o rodeiam. No inverno vem a neve e os desportos de inverno, ao ponto de em King’s Beach, junto ao lago, haver lojas de aluguer de skis e snow boards. Único.

 

Percorra a galeria de imagens acima clicando sobre as setas.