
O Algarve volta a ter, 32 anos depois, um campeão nacional absoluto, algo que não sucedia desde 1987, ano da vitória de Inverno Amaral (Renault) no campeonato.
Na derradeira prova do muito animado e competitivo Campeonato de Portugal de Ralis (CPR), Bruno Magalhães com Hugo Magalhães ao lado no Hyundai i20, conquistou a vitória ; uma proeza todavia insuficiente para conquistar o título.
No ano do regresso ao CPR, o piloto do Team Hyundai sagrou-se vice-campeão, o que acaba por ganhar a forma de prémio de consolação para Bruno Magalhães, que terminou a temporada em excelente plano, concretizando o 22.º triunfo da carreira, número apenas superado pelas vitórias de Joaquim Santos (39) e de Fernando Peres (30).
«Sabíamos que não dependíamos apenas de nós; por isso, fizemos o que podíamos», referiu Bruno Magalhães. Para o piloto do Team Hyundai, «o balanço da época é, altamente, positivo, embora saibamos que perdemos o campeonato na primeira metade da época. Apesar disso, não baixámos os braços e, com as coisas a correrem na perfeição, fomos rápidos, demonstrámos grande nível de competitividade», sublinhou.
Em posição privilegiada para conquistar o título e a correr em casa, Ricardo Teodósio – o 25.º campeão da história da competição – justificou em absoluto, a justiça da conquista de tais galões.No final do Rali Casinos do Algarve, o 2.º lugar alcançado, a 16,1 segundos do vencedor, soube a vitória e espoletou festa rija, contida pelo jogo de nervos, ampliado pelo deslize da noite da véspera, quando um pião na superespecial de Lagos obrigou a fazer contas ea redobrar a concentração.
A vantagem de 1,06 pontos era pouco tranquilizadora, mas a abrir o último dia, para o qual não arrancou a dupla Pedro Meireles/Mário Castro (VW Polo) por indisposição física, o novo campeão, metido em brios, venceu a passagem inicial por Nave Redonda (18, 7 km) e encurtou a distância para 8,5 segundos face ao líder Bruno Magalhães, instalado em tal posição desde a 4.ª especial.
A ascensão à vice-liderança, por troca com José Pedro Fontes, que ficou a 21,4 segundos do topo, permitiu ao piloto algarvio gerir o andamento de outra forma para fazer a festa no pódio.
«Não tenho palavras para descrever o que estou a sentir», confessou ao MOTOR 24 o novo campeão nacional, após um rali em que «tentei andar rápido o suficiente para não colocar o que nada em risco, uma vez que não precisávamos de vencer», acrescentou.
O momento-chave da última etapa foi o despiste, em Monchique -1. do Citroën C3 de José Pedro Fontes/Inês Ponte, felizmente sem consequências de ordem física para a dupla.
O piloto explicou que optara por pneus mais duros em relação aos adversários, «uma vez que os pisos estavam a secar», justificou.
«Na primeira especial do dia ainda tivemos algumas dificuldades, mas na seguinte estava tudo a correr bastante bem e o andamento era aquele que pretendíamos. Porém, saí largo num topo antes de uma curva e entrei na gravilha, perdendo por completo a aderência. Despistámo-nos e os danos no carro impossibilitaram a continuidade na prova», explicou Fontes.
A especial foi interrompida e o tempo realizado por Bruno Magalhães – o único piloto a efetuar o troço em condições normais – atribuído a todos os concorrentes.
Não valia pena arriscar, dada a vantagem para quem estava atrás de nós; a partir desse momento, só nos preocupámos em terminar o rali e sermos campeões nacionais». sublinhou Ricardo Teodósio.
O campeão madeirense Alexandre Camacho (Skoda Fabia) e Armindo Araújo (Hyundai i29) travaram duelo pelo último lugar do pódio.
O piloto de Santo Tirso ainda deu um ar da sua graça, ao vencer Nave Redonda-2, ficou a 1,0 segundo do campeão madeirense, mas o contra-ataque de Camacho não demorou para firmar o 3.º lugar.
«O desconhecimento dos pisos e as escolhas de pneus tornaram o rali difícil. Para complicar, fizemos um pião e perdemos algum tempo, mas foi excelente a luta com o Armindo», sublinhou o piloto da Madeira.
«Fizemos o rali possível. Não estivemos competitivos e não conseguimos acompanhar o ritmo da frente», justificou Armindo Araújo.
Boa atuação de Pedro Almeida (Skoda Fabia), «sem problemas», que terminou na frente de Roberto Blach (Citroën DS3).
Para o piloto de Famalicão 5.º classificado na prova do CAAL e no CPR, «foi só um bom rali, mas não excelente, embora o resultado seja muito positivo».
Em busca da perfeição, apesar de constante evolução patenteada pelo piloto integrado na estrutura da ARC Sport, Pedro Almeida referiu que «essa progressão tem sido mais significativa nos ralis de terra, mas no asfalto acho que poderia ter feito melhor. Terei muito mais trabalho pela frente para evoluir no asfalto do que na terra. Para o próximo ano pretendo subir a fasquia e pensar atingir o pódio nacional», referiu o piloto que voltou a fazer dupla com Miguel Ramalho no Skoda Fabia.
Excelente recuperação de Pedro Paixão (Skoda Fabia), com o madeirense a terminar no 7.º lugar, seguido pelos Skoda Fabia de Miguel Correia, com uma classificação que «soube a pouco» e de António Dias, afetado por uma conjuntivite.
A fechar o top 10, o vencedor das 2 WD: João Marcelino (Renault Clio RS) em dupla com Valter Cardoso, estreou-se a vencer no CPR, sendo seguido por Rafael Cardeira (Renault Clio 4RS) e Hugo Araújo (Kia Picanto GT), o melhor dos RC5.
Outros vencedores
No duelo pelo título do ERT2 no Iberian Rally Trophy, José Merceano (Mitsubishi Lancer Evo X) acabou por levar a melhor por 11,3 segundos no duelo com Adruzilo Lopes (Mitsubisbi Lancer Evo IX),
O piloto nortenho teve problemas graves com a caixa de velocidades, que acabou por ser substituída. Desistiu na 1.ª etapa e regressou no 2.º dia ao abrigo do Super Rally e quase recuperou totalmente a desvantagem de 10 minutos, uma vez que Merceano também teve problemas
Nos Clássicos, Luís Mota (Mitsubishi Lancer Evo VI), em dupla com Alexandre Ramos, sagrou-se campeão, no rali em que Pedro Leone (Ford Escort Cosworth) desistiu na 1.ª etapa.
A dupla irlandesa Richard Hall/Rory Kennedy (Ford Escort) venceu o rali.
No Campeonato Sul , Márcio Marreiros (Mitsubishi Lancer Evo IX), que fez dupla com Rui Serra, selou com chave de ouro a conquista do sexto título nesta competição,
.Classificação final
1.º Bruno Magalhães/Hugo Magalhães (Hyundai i20), 1h 10m 53,4 s
2.º Ricardo Teodósio/José Teixeira (Skoda Fabia), a 16,1 segundos
3.º Alexandre Camacho/Jorge Henriques (Skoda Fabia), a 1m 00,6 s
4.º Armindo Araújo/Luís Ramalho (Hyundai i20), a 1m 06,1 s
5.º Pedro Almeida/Miguel Ramalho (Skoda Fabia), a 2.53,6 s
Campeonato
1.º Ricardo Teodósio, 150,92 pontos
2.º Bruno Magalhães, 146,86
3.º Armindo Araújo, 134,94
4.º José Pedro Fontes, 115,60
5.º Pedro Almeida, 76
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