Contacto Classe X250 d: Um Mercedes-Benz por muito maus caminhos

Pedro Junceiro
Pedro Junceiro
Editor Conteúdos

Dando continuidade à sua estratégia de chegar a cada vez mais segmentos, a Mercedes-Benz associou-se à Nissan para fabricar a sua própria pick-up, a Classe X, à qual a marca de Estugarda dedica o lema ‘A primeira de uma nova espécie’.

Esta é, com efeito, a primeira pick-up decididamente Premium, com uma série de elementos pensados e desenvolvidos para agradar a quem procura aventura com mais requinte e com o visual da estrela a dominar os acontecimentos. Uma questão de estatuto, mas que assenta também numa série de evoluções técnicas e visuais que colocam esta pick-up mais em linha com os restantes modelos da marca germânica.

Da Nissan vem a base da Navara, a qual tem muitas provas dadas, embora a Classe X beneficie de um pouco mais de desenvolvimentos específicos feitos pela marca alemã. O eixo traseiro rígido multi-link é um ponto muito importante desta apreciação, surgindo ainda com molas helicoidais e um acerto de suspensão próprio para este modelo – além das molas, há suspensão dianteira de travessas duplas, novos amortecedores, novos apoios de suspensão e a própria geometria é distinta.

Essencialmente, a marca germânica infundiu um pouco do seu estilo de condução nesta pick-up, pautando-se a sua condução por uma toada de conforto em que os passageiros ficam bem isolados das imperfeições mais comuns do asfalto. Contudo, conduzir esta pick-up não pressupõe a adaptação a um universo completamente alternativo, na medida em que a direção tem um peso acertado e o feeling é interessante para um veículo tão distante do solo e com credenciais off-road muito destacadas.

A Mercedes-Benz garante que procurou combinar versatilidade e funcionalidade com conforto e dinâmica de condução e o resultado acaba por ser muito positivo para um modelo desta classe. Oferecendo elevada estabilidade em estradas nacionais e autoestrada, esta é uma pick-up com que acaba por ser fácil de viver, confortável e, mais importante, competente de conduzir.


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Para tal, as mudanças operadas foram fundamentais, sentindo-se por exemplo uma direção mais comunicativa e precisa do que a norma. A curvar, há um natural balancear da carroçaria, mas isso é expectável e a forma como o mesmo se processa até acentua a distinção do Classe X, surpreendendo o nível de confiança com que brinda o condutor quase desde o início. A maior largura de vias também ajuda neste campo.

Evento de corta-mato

No evento de apresentação, que decorreu entre autoestrada, nacionais e alguns troços de off-road que impõem muito respeito, houve margem para tudo: para perceber o conforto muito competente, a direção com calibragem bem conseguida e a elevada estabilidade em autoestrada, mesmo com ventos laterais. Além disso, à parte alguns ruídos aerodinâmicos, a sonoridade do motor é bem anulada, pelo que no interior não se ouve assim tanto do bloco 2.3 turbodiesel de quatro cilindros e 190 CV que equipava esta primeira unidade ensaiada no nível mais completo Power (X250 d).

A potência dessa unidade – derivada da aliança Renault-Nissan – permite à Classe X mostrar prestações interessantes, com acelerações velozes, não obstante alguma obstinação, nalguns casos, da caixa de velocidades automática para efetuar uma passagem para uma relação superior. Enérgico, esse motor com 450 Nm de binário máximo logo a partir das 1500 rpm faz com que o X250 d se sinta à altura de todas as necessidades.

Contudo, é preciso não esquecer que esta pick-up pode ir por maus caminhos e foi aí que, sem desprimor para o Classe G, pudemos maltratar um Mercedes-Benz com algum vigor e intensidade que a lógica fazia questionar. O primeiro percurso, bem pelo mato da Serra do Socorro, colocou o Classe X no meio de trilhos de pedras de grandes dimensões, muita terra solta e algumas rampas mais íngremes que, à partida, poderiam causar problemas. Nada disso. Ligando a tração integral 4Matic (comutável a partir de um botão na parte inferior da consola central, pouco à frente da alavanca da caixa), o Classe X galga trilhos e pedras com notável facilidade, raspando pelo meio de silvas e de ramos com relativo conforto e… orgulho.

Num segundo troço off-road, o percurso criado colocava em evidência as suas capacidades em condições mais extremas: cruzamentos de eixos em que o chassis demonstrou elevada rigidez sem o mínimo queixume, uma inclinação lateral que, vista do lado do condutor parecia ter tudo para o desastre (a marca garante que pode andar com uma inclinação lateral de 49.8%) e descidas seguras por mão do sistema Downhill Speed Regulation (DSR), que permite uma velocidade controlada em descida de 8 km/h. O diferencial traseiro autoblocante é uma mais-valia e o mesmo se pode dizer das redutoras, selecionáveis a partir de um comando rotativo perto dos botões em que se escolhe a tração integral. A robustez é, assim, um ponto de honra deste modelo.

Escolhas Diesel

No lançamento da Classe X (as primeiras unidades começam a ser entregues em janeiro), estarão disponíveis duas versões Diesel de um motor que é já conhecido doutras paragens. Trata-se do motor 2.3 turbodiesel de quatro cilindros com dois níveis de potência: no caso da versão X250 d conta com 190 CV de potência e 450 Nm entre as 1500 rpm e as 2500 rpm (a deste primeiro contacto), enquanto a variante X220 d serve de acesso à gama com 163 CV de potência e 403 Nm com o mesmo nível de rotações atrás indicado.

Ambos os casos têm tração traseira mas com possibilidade de equiparem também o sistema 4Matic (4×4 comutável), ao passo que a X250 d pode ter caixa manual ou automática de 7 velocidades, ao contrário da versão de acesso, que está apenas equipada com caixa manual.

Para o segundo semestre de 2018 está reservada a chegada de uma versão equipada com motor próprio Mercedes-Benz na forma de um V6 Diesel de 258 CV e 550 Nm de binário disponível logo às 1400 rpm. Para esta versão X350 d 4Matic, que será a topo de gama, está reservada uma caixa automática 7G-Tronic Plus e tração integral permanente. Esta versão mais potente terá associada sistemas Dynamic Select, patilhas atrás do volante, função start-stop, assistente ativo de faixa de rodagem e estará disponível apenas nas duas versões mais equipadas Progressive e Power.

Quanto a preços, a Classe X é colocada como uma variante Premium no seu segmento e tal é refletido, naturalmente, no custo final. A nova Classe X está disponível a partir dos 30.965€ (sem IVA) na versão X220 d 4×2 de caixa manual e dos 37.972€ (sem IVA) na variante 4Matic com este mesmo motor e nível Pure (mais 1700€ sem IVA para o Progressive). As versões X250 d têm custos base de 33.345€ (sem IVA) 4×2 na caixa manual (1700€ é o custo da caixa automática) e de 38.762€ para a versão com tração 4Matic e caixa manual no nível Pure. A caixa automática é uma vez mais um opcional.

De igual forma, existem ainda opcionais para esta pick-up: a capota rígida (estilo carrinha) está disponível desde os 4.199€+IVA, a cobertura rígida tem um custo de 2.132€+IVA e as barras de estilo em aço polido atrás da dupla cabina têm um preço de 741€+IVA.

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