Contacto Mercedes-Benz C200: Eletrificação simplificada e eficaz

Pedro Junceiro
Pedro Junceiro
Editor Conteúdos

O renovado Classe C da Mercedes-Benz tem como nota de destaque a estreia de um novo motor que dá seguimento à estratégia de eletrificação da marca, embora neste caso com uma solução mais simples. Mas que pode traduzir-se em ganhos muito interessantes em matéria de consumos e de emissões.

O modelo recebe uma renovação profunda a diversos níveis, muito pouco evidente na estética, mas mais contundente no lado técnico, com a Mercedes-Benz a indicar que houve revisões ou alterações em mais de 6500 componentes: em percentagem, o Classe C que em julho começará a chegar aos concessionários em carroçarias berlina, carrinha, cabriolet e coupé têm cerca de 30% de novidades, o que não deixa de ser um dado relevante para um modelo de sucesso.

Mas é no compartimento do motor que se encontra uma novidade de relevo para este facelift de meio de ciclo – o novo bloco de quatro cilindros de geração M 264, que pode ser derivado em duas unidades de diferentes capacidades: 1.5 e 2.0 litros, a primeira para o C 200 e a segunda para o C 300 (neste caso com 190 CV).

Foquemos atenções na primeira, que é aquela que introduz também um novo patamar de eletrificação com a adição de um sistema de 48 V, denominado EQ Boost, e um alternador-gerador de correia. O motor de combustão interna debita 184 CV de potência, mas é o facto de poder receber um impulso de 14 CV (10 kW) em fase de aceleração que ajuda a explicar a sua funcionalidade e elasticidade na condução. Isto porque o sistema EQ Boost consegue oferecer a sua energia ao motor térmico enquanto este assiste à entrada em cena do turbocompressor (twin-scroll).

O sistema de 48 V apenas está disponível neste Classe C com o motor de 1.5 litros

A marca pretende eliminar aquele que é conhecido como ‘turbo-lag’, o atraso da entrada em funcionamento do turbo. Na fase de desaceleração, a energia que se poderia perder é recuperada para uma bateria compacta de iões de lítio (até 12 kW) para utilização posterior, permitindo ainda um modo de roda-livre mais prolongado com o motor desligado. Todas estas medidas permitem que as emissões e os consumos sejam reduzidos. Mas o C200 não é um híbrido puro. Antes, tal como muitas outras marcas fazem, conta com um sistema de hibridação ‘suave’ (tradução de ‘mild-hybrid’), que lhe permite trazer a energia elétrica para um motor convencional, ajudando-o em fases específicas da condução para assim baixar emissões e consumos.

Além disso, a marca empenhou-se ainda na redução do atrito interno de forma a incrementar a eficiência de funcionamento, tirando partido, por exemplo, da tecnologia CONICSHAPE, que se caracteriza pelo alargamento do diâmetro inferior do revestimento do cilindro, como o próprio nome designa, em modo cónico. O comando variável das válvulas CAMTRONIC também é utilizado pela marca neste motor para melhorar a eficiência e a entrega da potência.

Na estrada

A primeira impressão do motor 1.5 turbo da Mercedes-Benz, obtida após um test-drive bipartido entre as estradas da Alemanha e as do Luxemburgo, foi de que a respostas são muito bem conseguidas, subindo de regime com intensidade adequada para um modelo deste género. A energia entregue pela unidade elétrica permite que as respostas em baixos regimes sejam competentes, subindo de forma decidida até um valor em redor das 4000 rpm, embora dificilmente tenha necessidade de fazer subir tanto o ponteiro das rotações. A caixa automática de nove velocidades (9G-Tronic) pauta-se pela suavidade nas passagens entre relações, ajudando a tirar partido do conjunto motriz.

Ao escolher-se o modo Sport do Dynamic Select, a integração entre o motor e a caixa torna-se mais desportiva e contundente, soltando assim de maneira mais enérgica os 184 CV (mais os 14 CV). Aliás, nas autoestradas alemãs sem limites de velocidade, a possibilidade de rodar a 200-205 km/h num regime em redor das 3400 rpm mostra que este é um motor solícito, algo também corroborado pelos 7,7 segundos que leva a acelerar dos zero aos 100 km/h. Diametralmente oposto, o modo ECO permite rodar ‘à vela’ sempre que o terreno seja plano ou a descer.

Pelos lados menos agradáveis, este primeiro contacto deixou transparecer algum ruído excessivo a bordo proveniente do motor – sobretudo com o acelerador pressionado a fundo – e… Consumos na casa dos nove litros. Porém, sendo justos, os troços nas ‘autobahn’ germânicas fazem subir os consumos… A média anunciada para o C 200 varia entre os 6,0 e os 6,3 l/100 km (dependendo do tipo de equipamento e jantes).

De resto, um modelo que se pauta pela agilidade em troços sinuosos e que prima, sobretudo, pelo conforto que oferece aos ocupantes, com amortecimento requintado e suave. Tanto quanto os materiais do interior, ainda num patamar de qualidade muito elevado.

O preço desta versão a gasolina com motor 1.5 de 184 CV inicia-se nos 46.450€ no caso da variante berlina (47.950€ no caso da Station). As entregas começam em julho.

FICHA TÉCNICA
Mercedes-Benz C 200 EQ Boost sedan
Motor: Gasolina, quatro cilindros, injeção direta, turbo, intercooler
Cilindrada: 1497 cm3
Potência: 184 CV às 5800-6100 rpm
Binário máximo: 280 Nm às 3000-4000 rpm
Tração: Traseira
Caixa: Automática de nove velocidades (9G-Tronic)
Aceleração (0-100 km/h): 7,7 segundos
Velocidade máxima: 239 km/h
Consumo médio: 6,0-6,3 l/100 km
Emissões de CO2: 136-144 g/km
Peso: 1490 kg
Preço: 46.450€

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