Contacto Volkswagen T-Roc: Três horas de ‘lusco-fusco’ muito intenso

Pedro Junceiro
Pedro Junceiro
Editor Conteúdos

Foco de grandes esperanças no seio da Volkswagen, o novo T-Roc irá surgir no mercado nacional no final de novembro, então com única opção a residir no motor 1.0 TSI de 115 CV com um preço de 23.275€.

Mas, no evento de apresentação internacional, apenas tínhamos à disposição duas unidades que, por certo, não irão fazer o ‘grosso’ das vendas em terreno luso. Ou seja, as motorizações 2.0 TSI de 190 CV DSG7 4Motion e a 2.0 TDI de 150 CV DSG 4Motion. Dá para perceber que nenhum destes modelos será escolha óbvia, mas em virtude do leque tão apertado de opções acabámos por ficar com uma das unidades a gasolina. Durante cerca de três horas, antes da chegada do ‘lusco-fusco’ outonal, tivemos um T-Roc só para nós e pudemos sentir como é que este novo ‘lusitano’ se mexe nalgumas circunstâncias.

É um… Volkswagen

Com uma posição de condução que se pode considerar muito correta – elevada, como é costume neste tipo de modelos – o T-Roc diferencia-se pelo interior mais colorido proporcionado pelos efeitos da personalização, mesmo que os plásticos mais rijos destoem um pouco da aparência geral, sobretudo nas portas.

Mas ao volante, o T-Roc é um Volkswagen na verdadeira aceção da palavra, o que quer dizer que é seguríssimo a curvar e eficaz na transferência de massas em curva, o que se deve a um chassis muito equilibrado, com a direção a oferecer muita precisão e feedback ao condutor.

Como a nossa versão de ensaio tinha sistema de tração integral 4Motion (que permitia a ativação do eixo traseiro em escassos milésimos de segundo quando a eletrónica detetava a perda de motricidade) e suspensão adaptativa, o T-Roc revelou assim uma competência redobrada no momento de absorver o mau piso (no modo ‘Comfort’) e também uma acutilância dinâmica de elevada capacidade nas estradas da Serra de Sintra e da Peninha (no modo ‘Sport’), onde apenas o piso molhado colocou ligeiros problemas ao conjunto motriz e apenas quando se era mais otimista em curva (os pneus de medida 225/40 R19 ajudavam). Sobressai, essencialmente, como um modelo de muita eficácia, seguro e de alguma diversão ao volante, sobretudo quando associado a um motor expedito, como era este o caso.

Ora, na nossa unidade, o motor 2.0 TSI de quatro cilindros e 190 CV mostrou sempre energia surpreendente, muito por obra de um binário de 320 Nm que permitia acelerações e recuperações com enorme fulgor, até porque a caixa DSG de sete velocidades, sempre rápida nas transições – permite extrair o máximo do motor. A aceleração dos 0 aos 100 km/h cumpre-se em 7,2 segundos, o que é já um bom indicador de velocidade percebida e da forma como aumenta de ritmo, quase elevando os seus atributos aos de um pequeno desportivo. Mesmo não sendo…

Fora do asfalto também mexe

Com tantas zonas de piso mais complicado para explorar, também levámos o T-Roc para fora do asfalto, ligando o modo Off-road, que alterna a distribuição do binário e controla a travagem nas descidas, por exemplo, oferecendo bons indicadores na transposição de um ou outro local em que uma das rodas patinava devido à lama criada pelas primeiras chuvas do outono. Não se pode esperar um todo-o-terreno, naturalmente, mas até pela forma como se adaptava à inconstância do piso, pareceu bem concebido dentro das suas competências.

No geral, este primeiro contacto, se curto, serviu para encontrar uma base muito sólida e competente, fruto de chassis bem-nascido, sobretudo em companhia de um bom motor, com elevada rapidez na subida de regimes e vigoroso na entrega da potência. A questão aqui é que… devemos esquecer este motor, já que o conjunto assim proposto não está previsto para o nosso mercado. O que até é pena, mas compreensível, na medida em que o preço final a que estaria votado o colocaria num patamar de pouca expressão comercial.

Volkswagen T-Roc 2.0 TSI 190 DSG7 4Motion

Motor 1984cc, 4 cilindros em linha, injeção direta e indireta, turbo, intercooler
Potência 190 CV/4200-6000 rpm
Binário 320 Nm/1450-4200 rpm
Transmissão Caixa automática de dupla embraiagem, 7 velocidades, tração integral
Aceleração 0-100 km/h 7,2 seg.
Velocidade máxima 216 km/h
Consumo médio 6,8 l/100 km
Emissões CO2 155 g/km
Bagageira 392-1237 litros
Suspensão dianteira Independente McPherson
Suspensão traseira Independente multilink
Preço Não está previsto o seu lançamento em Portugal

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