Primeiro mês completo de reabertura dos concessionários após nova ordem de confinamento para travar a pandemia de Covid-19 em Portugal, abril trouxe consigo um aumento robusto nas vendas de automóveis novos, com uma variação positiva de 376,3% face ao mês de abril de 2020. Porém, este é um valor que não traduz um regresso aos tempos pré-Covid, uma vez que a comparação de 2021 é feita precisamente com o mês de pleno confinamento de 2020, naquele que foi o pior mês de mercado automóvel dos últimos 20 anos.

Os números apresentados hoje pela Associação Automóvel de Portugal (ACAP) revelam um crescimento homólogo substancial entre os meses de abril de 2020 e de 2021, com o quarto mês deste ano a trazer um aumento superior a 376%, traduzindo a reabertura dos concessionários no primeiro mês de desconfinamento após a terceira vaga de Covid-19. Porém, de acordo ainda com os dados revelados pela ACAP, a comparação com abril de 2019 revela uma quebra de 26,6%, demonstrando assim uma dimensão diferente referente aos dados agora anunciados.

No total do mercado automóvel, observou-se um ligeiro aumento de 1,2% no período de janeiro a abril de 2021 relativamente ao mesmo período do ano anterior. Por outro lado, a comparação com o período homólogo de 2019 indica uma queda de 39,1%.

Foi o segmento dos automóveis ligeiros de passageiros que maior crescimento registou, com 14.809 automóveis novos registados em abril de 2021, ou seja, mais 438,7% do que no mês homólogo do ano anterior, mas menos 29,9% do que no mesmo mês de 2019. Na comparação entre os quatro primeiros meses do ano, as vendas ascenderam às 45.848 unidades, menos 4,5% do que em 2020 e uma queda de 43,1% em comparação com o período homólogo de 2019.

O mercado de ligeiros de mercadorias registou, no quarto mês de 2021, uma evolução de 203,4% face ao mês homólogo do ano anterior, situando-se em 2876 unidades matriculadas, mas em comparação com abril de 2019 registou uma queda de 8,8%. Em termos acumulados, o mercado chegou às 9938 unidades, mais 31,0% face ao período homólogo do ano anterior, mas uma queda de 16,3% face ao mesmo período de 2019.

Quanto ao mercado de veículos pesados, o qual engloba os tipos de passageiros e de mercadorias, em abril de 2021 verificou-se um crescimento de 302,8% em relação ao mês homólogo do ano anterior, tendo sido comercializados 427 veículos desta categoria. Nos primeiros quatro meses de 2021 as matrículas totalizaram 1636 unidades, num crescimento de 44,9% relativamente ao período homólogo de 2020.

Renault destacou-se em abril; Citroën foi a que registou maior subida

Por marcas, a tendência geral foi de ganhos substanciais face a abril de 2020, também aí demonstrando o contraste de momentos. A Renault foi a que mais ligeiros de passageiros matriculou em abril de 2021, com 1784 unidades registadas, mais 652,7% do que no mesmo mês de 2020, conseguindo uma quota de mercado de 12,05%.

Seguiu-se a Peugeot, com 1676 unidades matriculadas, mais 404,8% do que em abril de 2020, e uma quota de mercado de 11,32%. Seguiram-se a BMW, com 1217 registos (mais 361,0% e quota de 8,22%), e a Citroën, com 1211 matrículas (mais 1581,9% e 8,18% de quota de mercado), sendo esta a que mais cresceu entre meses homólogos – em 2020 havia vendido apenas 72 automóveis.

No cômputo do mercado, de janeiro a abril, a Peugeot lidera com 6270 unidades matriculadas, um crescimento de 20,2%, sendo também a única marca a ter uma quota de mercado acima dos 10%, com 13,68%. Depois, segue-se a Mercedes-Benz que, apesar de ter sido a quinta mais vendida em abril, mantém o segundo lugar geral, com 4431 unidades matriculadas, tendo uma variação negativa face a igual período do ano passado em 1,9% (quota de mercado de 9,66%). A Renault está no lugar mais baixo do pódio, mas aproxima-se bastante da marca alemã, tendo agora 4075 registos, menos 27,7% do que em igual período de 2020 e com uma quota de mercado de 8,89%.

A BMW está na quarta posição (3796 matrículas e 8,28% de quota), crescendo 9,0% face ao ano passado, com a Citroën em quinto (3311 e 7,22%), num aumento de 11,5%. Seguem-se Toyota e SEAT, com 2212 e 2151 veículos registados, respetivamente.