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Norseman, o Chrysler que permanece no fundo do Atlântico

Na noite de 25 de Julho de 1956, ao largo do estado de Massachusetts na costa Este dos Estados Unidos dois transatlânticos navegavam em rota de colisão. O impacto tornara-se inevitável e as consequências do mesmo viriam a ditar o naufrágio de um dos mais emblemáticos paquetes italianos de sempre, o Andrea Doria. No porão do navio seguia o Norseman, um concept car que não era sequer suposto encontrar-se a bordo do paquete malfadado e que permanece, até à actualidade, na escuridão das profundezas do Atlântico.

O Chrysler Norseman nasceu da criatividade do prolífico designer Virgil Exner, o qual foi responsável por mais de 20 modelos diferentes de automóveis para as marcas Studebaker, DeSoto, Stutz, Dodge, Plymouth e Chrysler. Exner foi igualmente o impulsionador do que ficou conhecido como o “forward look” da Chrysler, uma filosofia estilística que popularizou muitos dos elementos que marcaram a linguagem de design dos automóveis americanos na década de 50. No contexto do “forward look”, Exner conceptualizara o Norseman para se assumir como a expressão máxima das tendências que regiam o estilo da grande construtora americana naquele período.

Um ponto verdadeiramente único do design do Norseman era o tejadilho; uma aposta arrojada por parte de Exner, a qual ambicionava maximizar a visibilidade para o exterior, esta ditava a ausência de pilares A e B no automóvel. O tejadilho do Chrysler Norseman apoiava-se unicamente nos robustos pilares C pois toda a estrutura era em consola. O pára-brisas do Norseman fora também especialmente concebido para uso naquele automóvel. Não só a forma do mesmo necessitava de ser extremamente complexa devido a poder contornar a ausência dos pilares A mas pela mesma razão, o vidro daquele elemento era obrigado igualmente a providenciar apoio estrutural ao tejadilho. De modo realizar com sucesso essa função, o pára-brisas do Norseman era à prova de quebra o que, aliado à forma desafiante do mesmo dificultou bastante o seu fabrico. Contudo e apesar dos cuidados em relação à resistência do pára-brisas, o tejadilho peculiar do Norseman encontrava-se – em teoria – preparado para a eventualidade de um capotamento com a Chrysler a afirmar publicamente que este estaria habilitado a suportar oito vezes o peso total do automóvel se necessário, afirmação que não estava contudo alicerçada em dados concretos pois nenhum teste de colisão ou capotamento tinha sido realizado até então.

Pedro Fernandes / Jornal dos Clássicos