Confirmando que as máquinas de outros tempos continuam a povoar o imaginário de muitos dos entusiastas dos automóveis, a sexta edição do RallySpirit pautou-se, de novo, pelo sucesso, recolocando no asfalto mais de 80 equipas e muitos milhares de adeptos que procuraram reviver a ‘magia’ de outros tempos.

O regresso aos troços lusos de automóveis com mais de 500 CV de potência reveste-se sempre de um encanto especial, sobretudo para todos os que viveram o Rali de Portugal de outros tempos em troços ‘encantados’ como os de Sintra. Carros como o Audi Sport Quattro, o MG Metro 6 R4, o Ford RS200 ou o Lancia Stratos voltaram ao seu habitat natural neste evento organizado pela X Racing e Clube Automóvel de Santo Tirso, com epicentro em Barcelos e nas suas seletivas classificativas, ressuscitando as emoções vividas na geração de ouro dos Grupo B, dos anos 1980.

No entanto, nem só das máquinas de Grupo B viveu este evento, uma vez que modelos como o Renault 4, Mini Cooper ou SEAT Marbella, alguns com histórico no Campeonato do Mundial de Ralis, também não foram poupados nos aplausos e ovações. No polo oposto, máquinas mais modernas como os Porsche 991 GT3 ou o Skoda Fabia R5 também aceleraram o ritmo cardíaco dos entusiastas para quem os ralis são uma festa, mesmo em tempo de convalescença pandémica.

No plano desportivo, destaque para os triunfos de Ernesto Cunha/Valter Cardoso (Subaru Impreza STI) na categoria “Spirit” e para Pablo Pazó/Ezequiel Simões (Talbot Sunbeam Lotus) na categoria “Históricos”.

Pazó inscreveu o seu nome pela segunda vez no quadro de honra da prova, após o triunfo capitalizado em 2018. O rápido piloto castelhano venceu todas as especiais da segunda etapa, o suficiente para ascender à liderança na sexta classificativa e daí desalojar a equipa Rui Ribeiro/Pedro Fernandes.

Conformados com o segundo lugar, Rui Ribeiro/Pedro Fernandes, não tiveram dificuldades em superiorizar-se à dupla Joaquim Costa/José Costa que completou o pódio, num dos seis Ford Escort que concluíram a prova entre os 10 primeiros classificados.

Na outra categoria, a “Spirit”, reservada a máquinas com preparação mais liberal, também não faltaram momentos emocionantes, até porque à cabeça da classificação estiveram modelos como o Subaru Impreza STI e Mitsubishi Lancer EVO VI, trazendo reminiscências do Campeonato do Mundo de Ralis, quando os dois modelos mediam forças. Em palco nacional, o pêndulo pendeu para o lado do Subaru, com Ernesto Cunha/Valter Cardoso a começarem a desenhar a vitória desde os primeiros quilómetros, mas apenas a confirmá-lo ao longo da derradeira etapa, quando tornaram o Impreza STI inatingível para a concorrência.

Sem argumentos competitivos para o vencedor, a dupla Armando Costa/Sérgio Rocha acabou por se entreter a lutar com outro Mitsubishi Lancer EVO VI, o de Pedro Leal/Nuno Mota Ribeiro, com ambas as duplas a darem mais um tónico de emoção à parte final da prova e a terminarem separadas por apenas 1,5s.

Ao esquema competitivo “apimentado” com oito seletivas provas de classificação em asfalto, que fizeram as delícias dos pilotos, juntou-se ainda a especial de “Boucles Barcelos”, sem tempos cronometrados, mas disputada no original modo de perseguição, que permitiu uma dose de espetáculo acrescida, numa renovada aposta da organização claramente bem-sucedida.

Organização destaca sucesso

Face à aceitação das equipas e à presença do público nas estradas, mesmo que num cenário de pandemia a obrigar a mudanças de comportamento, a organização identifica esta prova como um sucesso.

“O RallySpirit Altice foi, mais uma vez, um êxito, numa edição particularmente difícil de organizar atendendo às circunstâncias que vivemos, mas onde conseguimos colocar na estrada um evento merecedor dos maiores elogios, tanto por parte das equipas como do público, que mais uma vez foram inexcedíveis na paixão que demonstraram pelos ralis e pela prova. Penso que temos condições para evoluir ainda mais, no futuro, tornando o evento num dos melhores “Rally-Legends” do mundo, quer pela nossa paixão pelos ralis, quer pela forma como acolhemos os participantes”, afirmou Pedro Ortigão, responsável da X Racing.

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