Rupert Stadler é o diretor-geral e presidente do Conselho de Administração da Audi, onde tem estado à frente do futuro da marca alemã, um futuro que passa pela introdução rápida de carros elétricos e pela evolução das tecnologias de autonomia. O executivo alemão está confiante que a Audi vai estar na vanguarda desta nova direção da indústria automóvel.

Na recente apresentação do Audi A7, houve um cuidado muito grande com a iluminação e o ambiente do interior. Com os automóveis a ficarem cada vez mais autónomos, isto é indicativo de uma nova direção em que o condutor vai estar no comando de qualquer coisa dentro do carro?
Hoje é óbvio que, por lei, o condutor tem que estar aos comandos, mas com as novas tecnologias de assistência à condução, passo a passo, o conforto vai aumentar. Por exemplo, numa situação de pára/arranca, ou se um condutor está a andar na auto-estrada a 100 km/h, pode tirar as mãos do volante e se calhar ir falar no Skype com a filha, ou relaxar e ouvir boa música, ou até ver notícias na televisão. De acordo com o que analisámos e falámos com os nossos clientes, é disto que o condutor está à procura. Por isso, temos que avançar nessa direção.

O carro vai ter que se tornar cada vez mais uma segunda casa longe da habitação?
Bem, para nós, ficou claro que só podia haver uma preocupação: o tempo é o bem mais precioso. E se as pessoas só estão sentadas no carro e não estão a aproveitar esse tempo, é chato. Se estão presos no trânsito em Los Angeles, ou São Paulo ou seja onde for, podemos oferecer algo aos nossos condutores. Isto não significa que vai deixar de ser divertido conduzir, mas podemos ajudar o condutor noutros momentos. É nisto que estamos a trabalhar, com as nossas soluções urbanas, se houver tecnologia, queremos usá-la.

A que velocidade podemos esperar a expansão da condução autónoma?
A condução autónoma é um dos avanços tecnológicos mais inovadores da nossa indústria e queremos estar na vanguarda. É por isso que lançámos uma start up em Munique, a Audi Intelligent Driving Company, ficámos com essa responsabilidade no Grupo VW. Agora que foi a passagem para a autonomia de nível 3, estamos a avançar depressa para os níveis 4 e 5. Em termos tecnológicos, o nível 5 vai estar pronto em poucos anos. A principal questão é a legislação, são muitas perguntas que temos que responder. O nível 5 vai ser mais fácil de demonstrar em auto-estrada, mas os clientes vão querer usar a condução autónoma nos centros das cidades, onde vão estar as situações mais caóticas em termos de poder computacional. A tecnologia de sensores, radar, laser, nada disto é fácil. Temos que fazer o desenvolvimento passo a passo, e penso que daqui a dois anos teremos mais performance nos computadores, na acumulação de dados e gestão de informação. Mas estou otimista.

A tecnologia autónoma terá que estar pronta antes da legislação entrar em vigor, certo?
Normalmente, será isso que deve acontecer, porque assim podemos mostrar aos governos o que a tecnologia autónoma vai poder fazer ou onde ainda não vai poder fazer.

E em relação a uma gama de carros elétricos?
Em 2018, vamos lançar o nosso primeiro carro elétrico, um SUV, penso que não há mais nenhum destes no mercado. No ano seguinte vamos lançar um novo Sportback na mesma plataforma, e em 2020 vamos ter um elétrico compacto. Também já decidimos nos últimos meses que vamos ter quatro a cinco carros eléctricos no topo de gama, e talvez o mesmo número de híbridos plug-in numa variedade de segmentos. Isto vai permitir-nos obedecer às regulamentos de CO2, que estão cada vez mais apertados.

Mesmo quando os países começarem a parar as vendas de carros novos a gasolina, ainda vai poder haver a hipótese dos híbridos plug-in continuarem legais?
Um híbrido plug-in tem muitas vantagens. Hoje tem uma autonomia de 50 km, mas no futuro porque não poderá ter uma autonomia de 80, ou de 100? Assim fica mais atrativo, como um veículo semi-elétrico. Se precisar de fazer uma viagem mais longa, o condutor não vai ter nenhuma desvantagem, porque a autonomia vai estar lá.

Os segmentos superiores vão ser os primeiros a beneficiar de games 100 por cento elétricas ou de autonomia de nível 5. Mas também se fala da partilha de automóveis no futuro. Os compradores deste tipo de veículos vão estar dispostos a partilhar, ou vai ser preciso esperar até chegar aos veículos mais baratos?
Estou convencido que vamos ver uma variedade de ofertas de mobilidade. Vai haver uma intermodalidade entre andar de carro e de transporte público, partilhar uma viagem no carro, ou mesmo partilhar o uso total do carro. Vai haver mais mobilidade individual nos segmentos superiores, sem dúvida. Vão existir compradores que vão querer configurar os carros só para eles. O mais importante é que existam respostas suficientes às necessidades. Vamos ter uma grande oferta de produtos, esperamos que todos possam estar interligados no futuro, e estamos a trabalhar para todos os tipos de mobilidade, como Audi on Demand. A partilha total deverá acontecer nos segmentos mais baixos, o que não é prioritário como marca premium , mas não vai haver problemas.

 

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