M. Francis Portela
M. Francis Portela
Investigador
Diz a sabedoria popular que os jovens ao volante causam mais acidentes que os condutores mais antigos, por conduzirem a velocidades mais elevadas, de forma imprudente e até com manobras perigosas. Já os mais idosos tendem a ser mais cautelosos. Mas a sabedoria popular está errada, de acordo com um estudo científico, que mostra que esta quebra de velocidade nos idosos é acompanhada de uma perda nas capacidades cognitivas, logo a partir dos 65 anos de idade.
M. Francis Portela
M. Francis Portela
Investigador

A equipa de investigadores de duas universidades da Alemanha publicou um estudo no jornal científico suíço Frontiers in Psychology, apontando para uma perda da capacidade para realizar múltiplas tarefas ao volante em pessoas mais velhas, assim como da capacidade para mudar de tarefa rapidamente. A conclusão é que os condutores mais idosos têm mais hipóetse de causarem um acidente quando se distraem.

Os investigadores alemães criaram dois grupos, um composto por 63 pessoas com idades entre os 20 e os 30 anos, e outro composto por 61 pessoas com idades entre os 65 e os 75 anos, colocando ambos aos comandos de um simulador de condução. Membros dos dois grupos tiveram que seguir um automóvel virtual e adaptar a sua condução aos movimentos destes, ao mesmo tempo que tinham que realizar uma série de atividades para serem analisados a atenção aos vários sentidos, atividade cognitiva e reação corporal sob a forma de movimento.

Em todos os casos, verificou-se que os condutores idosos conduziram sempre mais devagar, moviam-se mais dentro da faixa e alteravam mais a velocidade, e esta diferença acentuava-se quando era preciso realizar outras atividades que os obrigava a tirar os olhos da estrada. Neste caso, 78 por cento dos condutores idosos deixaram os carros deslizar para a berma, contra 40 por cento dos jovens, e 15 por cento dos idosos passaram por cima do traço contínuo, contra 0 dos jovens.