O mapeamento também ajudará a identificar as fontes dos nanoplásticos e a orientar os esforços para reduzir a poluição.
Os dados preliminares são, para já, referentes aos Alpes e sugerem preocupação: um estudo, publicado na revista Scientific Reports, destaca terem sido encontrados nanoplásticos em cinco dos 14 locais em que foram recolhidas amostras nos Alpes franceses, suíços e italianos.

Desde as expedições alpinas, os alpinistas obtiveram amostras de neve de glaciares de grande altitude nas Montanhas da Lua, na fronteira entre o Uganda e o Congo, bem como na Bolívia, Geórgia, Quirguizistão, Nepal, Nova Zelândia e no pólo sul e nas Montanhas Ellsworth, na Antártida. Em 2025, o Global Atmospheric Plastics Survey planeia obter mais amostras de Svalbard e da Islândia, no Ártico, bem como do Monte Evereste, da Índia, do Wyoming e do Alasca, nos EUA, e do norte do Canadá, além de mais amostras europeias dos Pirenéus espanhóis, da Polónia e da Noruega. A recolha de amostras em locais muito isolados evita que as fontes locais de nanoplásticos dominem as leituras, e a utilização da neve dos glaciares significa que apenas são recolhidas partículas que caem do céu.
O nanoplástico mais abundante foi o das partículas de pneus (41%), seguido do poliestireno (28%) e do polietileno (12%). Cada pneu dos 1,6 mil milhões de veículos existentes no mundo pode perder 4 kg durante o seu tempo de vida e pode ser a maior fonte de poluição por pequenos plásticos. Já se sabe que as pessoas consomem partículas de plástico minúsculas através dos alimentos e da água, bem como respiram-nas. Foram descobertos microplásticos no sangue humano, no sémen e no leite materno, bem como no cérebro, no fígado e na medula óssea, o que indica uma contaminação profusa do corpo das pessoas. O impacto na saúde é ainda desconhecido, mas os microplásticos têm demonstrado causar danos às células humanas em laboratório e têm sido associados a acidentes vasculares cerebrais e ataques cardíacos. De acordo com o professor Andreas Stohl, da Universidade de Viena, que não fez parte da equipa de estudo, os nanoplásticos são particularmente preocupantes para a saúde, uma vez que, ao contrário da maioria dos microplásticos, podem penetrar nos pulmões e entrar na corrente sanguínea.