Carrera RSR 2.1 Turbo: Um dos 911 mais extremos de todos os tempos

20/05/2019

A Porsche é uma marca que está associada à proliferação dos turbos nos automóveis, algo de que ainda hoje se orgulha. Mas enquanto hoje em dia os automóveis são mais “dóceis”, nos anos 70 isso não acontecia, os modelos turbo da Porsche eram máquinas diabólicas. E tal como muitas outras tecnologias empregues nos automóveis, que são aplicadas primeiro na competição, com os turbos passou-se o mesmo.

Nos anos 70 havia uma categoria, o Grupo 5, em que os automóveis eram autênticos protótipos, mas tinham a silhueta do seu homólogo de estrada. Foi então, que a Porsche substituiu o programa de competição dos 908 e 917 na Europa, pelo novo 911 RSR. Na América do Norte continuava a campanha do 917 no Cam-Am. A luz verde foi dada ao projecto pelo Dr. Fuhrmann, sendo encabeçado por Norbert Singer.

Inicialmente, os motores eram naturalmente aspirados, mas com a crise petrolífera de 1973, a solução passou pela adição de um turbo-compressor. Foi então que, em 1974, apareceu o Porsche 911 Carrera RSR Turbo, com um turbo KKK adicionado ao motor de seis cilindros opostos arrefecidos a ar, com injecção mecânica Bosch. O limite para a categoria era de 3.0L, mas com o acréscimo do turbo, a cilindrada era multiplicada por 1,4 e por isso a capacidade deste motor fixava-se nos 2142 cc, o limite máximo. Dependendo da pressão do turbo, a wastegate era regulada pelo piloto, a potência poderia ir dos 450 aos 500 cv às 7600 rpm. O motor tinha como base o do 911 2.2, com um curso de 66 mm e um diâmetro de 83 mm, utilizando bielas em titânio. A taxa de compressão foi reduzida para os 6.5:1. Atingia velocidades de 310 km/h e chegava aos 100 km/h em 3.2 segundos. Acoplado ao motor estava a caixa 915, reforçada para este modelo, sem diferencial.

Sendo um modelo de competição e com um regulamento bastante permissivo, tudo o que não era necessário foi retirado do automóvel. Desse modo, o peso total do 911 RSR Turbo fixava-se nos 825 kg, referindo que a base deste automóvel utilizava uma monocoque em aço do 911 de estrada. As maiores alterações estavam na traseira, com suspensão de mola e amortecedor, ao invés das tradicionais barras de torção. As molas eram feitas em titânio. O depósito de combustível saiu da frente, para dentro do habitáculo, para estar numa posição mais central.

Este é um dos 911 mais extremos de sempre, com um gigante aileron traseiro e abas bastante alargadas. Utilizava jantes de 17” e o spoiler traseiro estava equipado com condutas NACA, para arrefecimento do motor e o intercooler estava montado por debaixo do spoiler. As aberturas no lip frontal, serviam para levar o ar para os radiadores de óleo. A janela traseira foi alterada para melhorar a aerodinâmica.

Além de todos estes “adereços”, obviamente não poderia faltar a decoração da Martini Racing, bastante icónica no seio da Porsche. O Carrera RSR 2.1 Turbo foi um modelo com sucesso na competição, mesmo contra os protótipos construídos de raiz para o efeito, como os da Matra, Alfa Romeo e Mirage. Gijs van Lennep e Herbert Müller, ficaram em segundo lugar à geral, nas 24h de Le Mans de 1974. Este modelo só competiu durante um ano, tendo culminado no Porsche 935, que daria vários triunfos à marca de Zuffenhausen nos seis anos seguintes.

Tiago Nova/Jornal dos Clássicos

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