Tiago Oliveira, o português que põe o nome nos Caterham

Na recente visita que fizemos à fábrica da Caterham, descobrimos o mecânico português responsável pela montagem de alguns dos cerca de 600 desportivos inspirados no Lotus 7 que a marca britânica produz anualmente.

As instalações da Caterham em Dartford são muito discretas, numa área industrial movimentada. O edifício branco é igual a tantos outros e a palavra “Caterham”, em letras pretas, quase passaria despercebida, se não soubéssemos ao que vínhamos.

Lá dentro contam connosco para visitar a fábrica. Quando lhes digo que quero falar cinco minutos com o Tiago, ficam surpreendidos: “Oh! Is he Portuguese?”. Aparentemente, eles não falam muito uns com os outros sobre as suas origens… Respondo com um lacónico “Yes, he is.” É dos nossos, pá. E queremos saber se o tratam bem (esta parte, não disse, mas pensei). Pediram para esperarmos um pouco e que lhe iam perguntar se não se importava de falar connosco. Achei bonita a consideração. O Tiago está lá para montar um Caterham de A a Z, não para falar com jornalistas.

Felizmente, o Tiago aceitou falar connosco, até porque estávamos mais perto da hora do almoço. A fábrica é um espaço amplo, com uma área de trabalho de talvez 2000 metros quadrados. Há vários suportes de montagem com esqueletos de Caterham prontos a receber todos os componentes para fazer dele um automóvel.

Depois de andarmos cerca de vinte metros, apresentam-nos o Tiago, que está junto ao Caterham 310 que vai ter o seu nome dentro de alguns dias. É interessante o contraste entre a sua roupa de trabalho, calças e sweatshirt pretas, e os vistosos brincos nas duas orelhas, parecidos com os do Cristiano Ronaldo.

De início, o Tiago Oliveira está pouco à vontade, mas nota-se que fica satisfeito por dar descanso ao inglês durante alguns minutos. Nasceu em Lisboa, há 33 anos e vive há 19 em Inglaterra. Estudou mecânica e começou a trabalhar em diversas garagens até que, há cinco anos, um vizinho que trabalhava na Caterham o convidou a concorrer a uma vaga.

Na época, eram vários os mecânicos que trabalhavam em cada Caterham. Há uns anos, quando decidiram atribuir cada exemplar a um mecânico, o Tiago foi dos dois pioneiros deste sistema, conta com orgulho.

Actualmente, se todas as peças estiverem disponíveis, precisa apenas de oito dias para terminar um automóvel, desde o momento em que recebe o chassis até sair com ele para testar o seu trabalho.

Quando pergunto qual o Caterham em que prefere colocar a chapinha com o seu nome, responde sem hesitação que é o 620R, um “animal” de 300 cavalos e prestações que humilham quase todos os superesportivos do mercado. (só existe com volante à direita e não está homologado fora do Reino Unido).

Nota-se que tem uma grande paixão pela marca e pelo seu trabalho. Diz-me que há apenas três trabalhadores não ingleses na fábrica, um jamaicano com altas “rastas” e ar “super na boa” e um holandês de Amsterdão (a festa de natal da Caterham deve ser muito divertida!)

No final, despedimo-nos com uma foto e um abraço. “Quando voltares a Portugal, diz qualquer coisa”. “Vou lá em Março, ao casamento do meu melhor amigo”, foi a resposta.

E eu, que já adorava os Caterham, vim da fábrica com ainda mais vontade de ter um, mas agora só se tiver um autógrafo do Tiago Oliveira…

Agradecemos ao Jorge Monteiro, Rui Catalão e à Caterham Portugal a oportunidade de visitar a fábrica da Caterham Cars.

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