Pequena grande história da smart: 20 anos mais tarde

Foi há precisamente duas décadas que surgiu um estranho automóvel, extremamente pequeno e compacto, que com o passar dos anos se foi transformando num ícone da mobilidade urbana. Agora, em 2018, esse ícone está mais crescido (mas apenas na idade…), e recordamos agora a história da smart.

“Um coupé para cidade?” Está terá sido seguramente a questão que muitos colocaram quando o Grupo Daimler decidiu lançar, em 1998, o Smart City Coupé. Tratava-se de um modelo com um visual simpático e que, pelas dimensões reduzidas que apresentava, era um verdadeiro aliado para os que se movem principalmente em ambiente urbano. Agora em todos os continentes do planeta esse modelo, que passou a ser conhecido como smart ForTwo, tornou-se num ícone e é, a par do Fiat 500, um dos maiores sucessos entre os citadinos. Isso mesmo comprovam os 2,2 milhões de smart já comercializados, entre os quais estão 50.000 mais “vivaços” e com assinatura da Brabus. Chegou agora, que se festejam os 20 anos da smart, o momento de recordar alguns momentos altos do passado da marca.

A condução e a imagem

Quando os outros condutores vêm um smart a passar pelas ruas da cidade, normalmente é a agilidade com que o modelo se move que salta à vista. O seu baixo peso permite-lhe ter um assinalável disparo à partida, mesmo que os motores não sejam incrivelmente potentes, e alia a isso uma manobrabilidade que não deixa ninguém indiferente. E como a ideia é efetivamente “serpentear” entre o trânsito citadino, estas duas características são essenciais.

A agilidade dos Smart fica comprovada pelo diâmetro de viragem anunciado para a presente geração. Entre lancis o ForTwo precisa apenas de 6,95m, e consegue fazer os 360º entre paredes se tiver um espaço de 7,30 metros. No caso do ForFour as cifras são ligeiramente superiores, mas ainda assim são indicadas para estas duas manobras as cifras de 8,65m e 8,95m.

Além disso, por incrível que possa parecer, a habitabilidade não é um constrangimento da marca, especialmente na atual geração. Obviamente não se pode esperar um desafogo igual ao de um Mercedes Classe S ou um BMW Série 7, mas certamente ninguém se sente claustrofóbico

Outro elemento que tem contribuído e muito para a imagem da Smart são as divertidas publicidades e iniciativas que divulga. A mais recente foi a transformação de um ForTwo numa discoteca, mas existem outras iniciativas e até que tiveram grande impacto em Portugal. Foi o caso do vídeo com “Quantos Smart cabem numa banheira”, ou o #SmartEffect que ganhou 3 Leões de Ouro dos Prémios de Publicidade de Cannes. Essas iniciativas, em conjunto com um posicionamento próximo dos clientes, como o patrocínio de eventos demonstra, ajuda a explicar como Portugal é o país do mundo onde a quota de mercado da Smart é mais elevada.

Nome e origem

A smart começou a ganhar notoriedade um ano antes de ser lançada comercialmente, quando o seu pequeno tamanho causou grande impacto nos visitantes do Salão de Frankfurt de 1997. Mas o seu próprio nome indica que a ideia já vinha de muito antes, mais precisamente da década de 1980. Foi em 1989 que o inventor dos relógios Swatch, Nicolas G. Hayek, teve a ideia de criar um modelo de reduzidas dimensões para a circulação em cidade. Para desenvolver esta ideia procurou a Mercedes (que investigava desde a década de 1970 conceitos para modelos mais compactos), com quem fundou na Suiça a empresa Micro Compact Car AG.

Após a ideia “amadurecer” nasceu o conceito do modelo revelado em 1997 no Salão de Frankfurt, No ano seguinte, a companhia criada foi adquirida na totalidade pela Daimler, que assim se tornou na única proprietária deste novo conceito. Mas o nome recorda todos os intervenientes no seu desenvolvimento, já que Smart é precisamente a junção de Swatch, Mercedes e Art.

O símbolo da Smart tem também um duplo significado que demonstra a vocação da companhia de citadinos. Ela contempla a visão de um C, para compacto, e também de uma seta, que aponta para o pensamento progressivo que o fabricante automóvel tem em relação à mobilidade urbana. Algo que, como poderá ver no seguimento deste artigo, continua a ser uma realidade.

As gerações e variantes

Lançado logo com um grande sucesso em nove mercados europeus no ano de 1998, o primeiro smart contava com motores turbo a gasolina de 0.6L e potências de 45cv, 51cv e 61cv, depois atualizados para uma cilindrada de 698cc e debitando 50cv e 61cv. Juntava-se ainda uma motorização turbodiesel de 41cv. Logo na primeira geração, o smart mostrou ser um modelo multifacetado, pois ele esteve disponível tanto na versão coupé como enquanto ‘open-top’ (um cabriolet com painéis ao estilo “targa” segundo referia o comunicado da marca na época) e ainda com um nível de equipamento mais desportivo com assinatura da Brabus.

Relativamente às dimensões, a palavra mais indicada para as descrever é… compactas. Isso mesmo indicam os 2,5 metros de comprimento, aproximadamente 1,5 metros na altura e largura e ainda os 730kg de peso. Na estética começa desde logo a destacar-se também um traço característico que ainda hoje surge nos modelos da marca, a demarcação em redor das portas que hoje em dia é ocupada pela Tridion. Esta é a célula de segurança que envolve a zona dos passageiros, ajudando a garantir que as reduzidas dimensões do modelo não são sinónimo de baixos níveis de proteção.

Se a escolha do smart fortwo poderia ser considerada uma opção lógica, guiada pela necessidade de movimento em cidade, cinco anos mais tarde surge um modelo da marca que é totalmente centrado na vertente emocional. Falamos, obviamente, do entretanto descontinuado Smart Roadster, um “mini-desportivo” de dois passageiros que usava uma plataforma do ForTwo esticada para os 3427mm e contava com motores de 61cv, 82 cv e, na mais apetecível versão criada pela Brabus, 101cv.

Apenas um ano mais tarde a Smart decide alargar a sua vocação citadina. Como o fez? Com recurso ao novo Smart forfour, capaz de transportar quatro passageiros. O modelo não conseguiu, no entanto, ter o mesmo sucesso do irmão mais pequeno, e de momento nasce de uma parceria estabelecida entre a Smart e a Renault, que deu também origem ao novo Twingo.

Ainda assim, quando a Smart apresentou a segunda geração do Fortwo (C451), em 2007, também desvendou uma evolução para o seu modelo de quatro ocupantes (A451). A receita das dimensões compactas continua a ser aplicada, mas agora o modelo ganha maior poder de fogo. O motor a gasóleo, com 0.8l, debita agora 54cv, enquanto os blocos de um litro a gasolina surgem nas versões de 71cv, 84cv e, no modelo com assinatura Brabus, 102cv.

Nesta geração também se começa a ver o interesse da Smart na mobilidade elétrica, sendo apresentado o Smart Eletric Drive, inicialmente testada através de 100 protótipos que circularam na cidade de Londres em 2007. O ED também surge em programas de carsharing 100% elétricos e começou a assinalar o rumo para o futuro que a marca se prepara agora para abraçar.

Em termos estéticos a maior revolução surge com a entrada em cena, no ano de 2014, da terceira geração Smart. Além de um aspeto bem mais musculado, a grelha passa a ter maior volume e o interior obteve um nível de personalização mais elevado. Além disso, também nas motorizações os atuais ForTwo e ForFour vieram preconizar o que seria o futuro da mobilidade em cidade, pois surgiram logo de origem sem motores diesel. As opções para os clientes foram duas: ou o atmosférico 1.0L de 71cv ou o bloco Turbo de 898cc que debita 90cv.

Além disso, surge também em 2017 a nova versão do Eletric Drive, já com o símbolo da EQ na Edition NightSky. Ela está contemplada tanto no ForTwo Coupe como no Cabrio, e surge ainda no modelo para quatro passageiros. Com um motor de 60kW (80cv) e 160Nm, ele anuncia uma autonomia de 160km, o que é mais que suficiente para quem se mova apenas em ambiente urbano.

Os concepts e o futuro

Ao longo da sua história, a Smart já revelou vários protótipos, mas existem dois que se destacam. O primeiro é a versão “monster truck” conhecida como Smart ForFun2, desvendada em 2006, em que as rodas do carro eram praticamente mais altas do que o resto da carroçaria. Mais recentemente surgiu uma versão ferroviária do citadino, com o ForRail Concept a apresentar-se com umas rodas para andar sob os carris e partilhar as estradas com os comboios.

Além de vários conceitos, como os que destinaram a potenciais SUV, há outro protótipo revelado recentemente e que terá fulcral importância para o futuro da marca. Falamos do Vision EQ ForTwo Concept, uma futurista criação que preconiza uma mobilidade sem emissões poluentes e onde a conetividade e inteligência artificial das viaturas tornará a nossa vida mais fácil e segura. Um modelo que surgiu num momento emblemático para a marca, pois pouco tempo depois da revelação ocorrida no Salão de Frankfurt, veio a confirmar-se que já em 2019 a smart se tornará um fabricante exclusivo de veículos elétricos tanto na Europa como na China.

Mas o papel pioneiro que a marca tem procurado ter na mobilidade urbana, onde a poluição e os congestionamentos são adversários do bem-estar e saúde das pessoas, não foi “descoberto” em 2017 com o Vision EQ. Além da forma como a Smart surge, focada nos modelos compactos, existem outros momentos que demonstram essa visão futurista. Um deles merece ser assinalado, pois também anteviu uma mudança de comportamento por parte das pessoas. Foi quando, em 2008, foi criada a Car2Go, destinada à partilha de veículos e que hoje em dia já tem mais de três milhões de clientes na Europa, China e Estados Unidos.

Mas agora, que trocou de CEO com a saída de Annete Wankler e a entrada de Katrin Adt para a liderança, a Smart prepara-se efetivamente para um dos momentos mais importantes da sua história. Novamente ela antecipa-se ao sector automóvel para apostar apenas nos motores elétricos, um futuro que a generalidade das marcas apenas preconiza para um futuro bem mais longínquo… Um ambicioso passo em frente que surge na altura em que se celebram os 20 anos da Smart.

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