Defensora acérrima da tecnologia híbrida, da qual tem uma experiência única e na qual fez investimentos como nenhum outro construtor, fora do grupo Toyota, a Lexus está numa posição confortável quanto ao cumprimento de normas anti-poluição.
Ao contrário de outros construtores, que se precipitam em projetos de modelos de baixas emissões para escapar às multas, a Lexus não precisa disso. Mas a crescente procura do mercado por modelos 100% elétricos não lhe deixou outra hipótese senão aderir à ideia.
Surge assim o UX 300e, o primeiro BEV (Battery Electric Vehicle) da marca, inaugurando uma série de modelos (mais) eletrificados que vai incluír mais BEV e os inevitáveis “plug-in”. É esperar para ver.
Um primeiro contacto breve
Para já, tive a oportunidade de fazer um primeiro teste ao UX 300e em ambiente confinado, na Base Aérea Nº6 do Montijo, a tal que poderá dar origem ao segundo aeroporto de Lisboa. Uma planície de área imensa, povoada por arvoredo geometricamente plantado.
O Lexus UX é o SUV mais pequeno da marca, um modelo que na sua versão híbrida 250h vendeu em 2019, em Portugal, cerca de 150 unidades, praticamente metade das entregas da marca no nosso país. Para a versão elétrica 300e, as previsões são de vender 70 unidades a partir do primeiro trimestre de 2021 e depois adicionar outros tantos até final do ano.Com estas contas, o 300e poderá duplicar as vendas do modelo, sendo as empresas o principal alvo, devido às “cortesias” que o Estado lhes dá na compra de modelos elétricos. Mas já lá vamos ao preço.
Em termos técnicos, o UX 300e partilha o máximo de componentes com o UX 250h, por fora mal se distinguem. Por dentro, é preciso olhar com atenção para o painel de instrumentos e descobrir as indicações relativas à bateria, ao estado carga/descarga e aos consumos em kWh/100 km.
Está lá tudo, mas bem integrado na estrutura que já existia, a Lexus não “grita” ao condutor que está num carro elétrico.
Muito bem isolado
A experiência de condução do 300e começou por ser desconcertantemente semelhante à do 250h: arranque elétrico muito suave, com excelente isolamento acústico do exterior.
O UX não é um SUV com um habitáculo muito grande, e na versão elétrica perdeu um pouco mais, pois a bateria colocada sob o piso obriga os pés do passageiros do banco traseiro e ficarem mais altos, deixando as coxas desapoiadas.
Sendo a plataforma GA-C nascida para motores térmicos e híbridos, esta versão elétrica leva uma caixa sob o fundo, onde estão os módulos da bateria e ainda acrescenta um degrau sob o banco traseiro. Com isto, a altura ao solo desceu 20 mm e o centro de gravidade também desceu 67 mm.
Com 204 cv e 300 Nm no arranque, uma aceleração a fundo em modo Sport (também há modo Normal e Eco) não chega para fazer as rodas dianteiras motrizes perder tração, mas o impulso é respeitável.
A aceleração 0-100 km/h está anunciada em 7,5 segundos e a velocidade máxima limitada aos 160 km/h. Este números surgem com eficiência e sem grande espalhafato, bem ao jeito da Lexus.
Regeneração pouco agressiva
Voltando a um percurso em reta, foi possível testar os quatro níveis de intensidade de regeneração, acessíveis através de patilhas no volante ou da posição “B” na alavanca da caixa. Ao contrário do que acontece noutros elétricos, aqui a retenção nunca é muito agressiva, não dá para guiar só com o acelerador. Mas a Lexus garante que é eficiente.
Para o fim, ficou uma breve passagem num caminho de terra batida, que mostrou acima de tudo o bom trabalho de insonorização, mais importante ainda num carro elétrico, pois não está lá o motor térmico para “abafar” alguma coisa.
Dois ou três buracos no caminho serviram para mostrar que ter mais 280 kg de peso que o UX 250h, tem como resultado positivo menos abanões no habitáculo.
Não foi possível confirmar os valores anunciados de consumo de 16,8 kWh/100 km, e muito menos os tempos de recarga que a Lexus anuncia: 23h00 numa tomada doméstica, 8h15 numa wallbox de 6,6 kW ou num posto de carga normal e 50 minutos para ir dos 0 aos 80%, num posto de carga rápida de 50 kW.
Conclusão
Artigo inicialmente publicado no Targa 67