VW Golf 1.0 TSI: Motor pequeno sem preconceitos

Luis Guilherme
Luis Guilherme
Jornalista

A versão 1.0 TSI com 110 cv é provavelmente a que mais surpreende na relação entre performance, prazer de condução e economia. Mas a única novidade deste teste é o restyling operado no Golf, na indumentária e no conteúdo do equipamento. Já passaram sete gerações desde que conduzi o primeiro Golf, um GTI de 1976, e é fácil perceber o sucesso deste quarentão.

Já conduzi todas as gerações do Golf, apesar de ser apenas dois anos mais velho do que este VW nascido em 1974. O primeiro em que meti as manápulas sequiosas de volantes foi um saudoso GTi de 1976 de um amigo, enquanto o último foi este 1.0 TSI de 2017. Conheci um total de sete gerações, sem contar com os restyling, como acontece com o protagonista deste teste.

O Golf é há muito tempo a referência na classe dos familiares compactos e nem o recente escândalo com as emissões dos motores TDI abalaram a sua carreira de sucesso assente em 33 milhões de unidades vendidas até ao momento, o que dá cerca de 175 Golf por dia… Números de respeito para quem ultrapassou os 40 com o charme do George Clooney.

A sétima geração viu a luz do dia em 2012 e por isso a VW entendeu ser altura de fazer algumas alterações, não só no visual, mas também no conteúdo. Por fora, os retoques incidiram nos suspeitos do costume: faróis (LED atrás e, em opção, à frente), pára-choques e guarda-lamas.

Por dentro, o sistema de infoentretenimento é a maior novidade, com o ecrã tátil na consola central que pode variar de tamanho consoante a versão ou o nível de equipamento. Nas mais completas, o sistema conta com controlo por gestos e um ecrã de 9,2’’, enquanto o “nosso” Golf Confortline apresenta de série um com 8’’, que faz parte do sistema de rádio ”Composition Media que inclui uma abertura para cartões de memória SD, uma tomada AUX-IN, um interface USB e ligação Bluetooth para telemóvel.

Motor surpreende

O meu avô teve um Golf da terceira geração (1992-1998), equipado com um motor 1.4 de 55 cv que sofria para mover o peso que carregava às costas. Talvez por isso tenha ficado vacinado com as versões de menor cilindrada deste bestseller alemão. Pelo menos até descobrir que a vacina se transformou em preconceito, pois o motor 1.0 de três cilindros reclama 110 cv, mais 10 cv que um 1.6 GT dos anos 90, o que o torna surpreendente para quem, como eu, tem preconceitos em relação a motores pequenos baseados em experiências com mais de 20 anos.

A primeira surpresa vem do ruído do motor, ou melhor da sua ausência, já que nada indica que é um tricílindrico, o que se deve, em parte, à boa insonorização do habitáculo.

A segunda, e maior surpresa, é a disponibilidade deste motor 1.0 turbo de injecção directa na resposta ao acelerador, que o torna um sério concorrente à versão 1.6 TDI. Resposta pronta desde baixa rotação, consistência nos médios regimes e um fôlego considerável (em termos relativos, claro) nos mais elevados.

Económico?

Este Golf move-se com desenvoltura na cidade, mas mantém uma postura confiante em estrada, onde consegue aliar boas prestações com consumos interessantes, na ordem dos 6,5 l/100 km.

A tudo isto alia um comportamento exemplar, com um bom nível de conforto para quatro passageiros (o lugar do meio atrás não é bom em automóvel nenhum), que gozam também de um espaço interior generoso.

Conduzir este Golf dá prazer, não só pela precisão e correcto escalonamento da caixa manual de 6 de velocidades, mas também pelo feeling da direcção e excelente posição de condução. É fácil curvar depressa e o equilíbrio é uma constante em qualquer situação, mesmo tendo em conta que esta versão utiliza um eixo traseiro semi-rígido, ao contrário dos melhores Golf que contam com suspensão independente, uma solução mais nobre em termos de conforto e, sobretudo, no que toca ao guiamento das rodas traseiras. Na verdade, mesmo com uma suspensão traseira mais “barata”, o comportamento e o conforto não deixam de merecer elogios.

Por 25 660 euros não é fácil encontrar um modelo melhor que o Golf 1.0 TSI Confortline que, no caso do modelo testado incluía ainda jantes Madrid de 17’’ (324€) e a pintura Branco Pure que custa mais 151 euros.

E defeitos, não existem? Não gosto de carros brancos.

CaracterísticasVolkswagen Golf 1.0 TSI
Motor999 cc, três cilindros em linha, turbodiesel, injeção direta, intercooler
Potência110 CV/5.000-5.500 rpm
Binário200 Nm/2.000-3.500 rpm
TransmissãoDianteira, caixa manual de seis velocidades
0-100 km/h9,9s
Velocidade máxima196 km/h
Consumo (anunciado/medido)4,8 l/100 km)
Emissões CO2109 g/km
Comp/larg/alt. (mm)4.258/1.790/1.492
Distância entre eixos (mm)2.620
Peso1.216 kg
Suspensão (Fr/Tr)Independente McPherson/eixo de torção
TravõesDiscos ventilados/discos
Mala380/1.270 litros
Pneus 205/55 R16
Preço da versão/ensaiadoPreço: 25.660€ (Confortline)/26.131€

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