/Compra de bicicleta? Câmara de Lisboa oferece quase dez vezes mais que governo

Compra de bicicleta? Câmara de Lisboa oferece quase dez vezes mais que governo

Depois da Associação pela Mobilidade Urbana em Bicicleta (MUBi) ter manifestado o seu desapontamento face ao reduzido apoio que as formas de mobilidade ativa merecem na proposta de Orçamento de Estado, agora é a vez da associação ambientalista Zero reforçar a mensagem.

“É caricato que, em Portugal a Câmara Municipal de Lisboa disponibilizou três milhões de euros para apoiar a aquisição de bicicletas convencionais e elétricas, quase dez vezes superior ao que o Fundo Ambiental disponibiliza para o país todo” que é de 400 mil euros, divididos entre 50 mil euros para bicicletas convencionais e 350 mil euros para bicicletas elétricas, assinala a Zero.

O que se passa lá fora?
Os ambientalistas contrapõem com o que consideram ser “os bons exemplos a nível europeu” de países que estão, de facto, a disponibilizar incentivos reforçados aos seus cidadãos para a compra de bicicletas.
“Todos eles com investimentos per capita pelo menos 10 vezes superior ao que existe em Portugal”, enfatiza a Zero.
Em Itália o Decreto Rilancio (o Decreto de Relançamento) reservou 55 mil milhões para o relançamento da economia e criou um “Bonus Bici” em que reembolsará para a aquisição da bicicleta até 60% do seu valor com um máximo de 500 euros – num total de 190 milhões de euros;
No Reino Unido o governo disponibilizou meio milhão de vouchers de 55 euros para usar em reparações de bicicletas – num total de cerca de 28 milhões de euros;
Em França o ministério da Transição Ecológica e do Meio Ambiente, em 30 de abril, anunciou um plano de 20 milhões de euros, mais tarde aumentado para 60 milhões, para encorajar o uso da bicicleta.

Faltam verbas para concretizar medidas

Os ecologistas referem que tendo em conta que o Governo assume um forte investimento no reforço de soluções de mobilidade ativa nas cidades e dar continuidade à implementação da Estratégia Nacional para a Mobilidade Ativa Ciclável 2020-2030, o Orçamento do Estado para 2021 deverá dotá-la de verbas para a concretização das suas medidas.

“Em linha com a recomendação da Assembleia da República ao Governo, consideramos essencial a priorização e aceleração da sua execução e da prossecução dos seus objetivos. A resolução do Conselho de Ministros que aprovou a Estratégia, determinou que as suas 51 medidas deveriam ter sido definidas, calendarizada e orçamentadas até ao final de 2019, o que, passado quase um ano, continua ainda por acontecer”, lembram Zero e MUBi.

Propostas para 2021

Tendo em consideração que se prevê o investimento no reforço de soluções de mobilidade ativa nas cidades, nomeadamente através do apoio à construção de novas redes de vias cicláveis, do apoio à implementação de soluções que promovam a complementaridade destas soluções de transporte com a rede de transporte público e na manutenção dos apoios à aquisição de bicicletas, a Zero e a MUBI apresentam as seguintes propostas:

► Os incentivos para a aquisição de bicicletas convencionais devem aumentar para os 50%, com um aumento do limite máximo para os 200 euros e para um total de 5000 bicicletas.

► Os incentivos para a aquisição de bicicletas com assistência elétrica devem manter-se nos 50%, com um aumento do limite máximo para os 500 euros e para um total de 5000 bicicletas.

► Autonomizar a categoria bicicletas de carga, mantendo o incentivo em 50%, aumentando o limite máximo para os 750€ para um total de 500 unidades.

► “Embora as ajudas às aquisições não incluam ainda bicicletas em segunda mão nem kits elétricos para apetrechar as mesmas (algo que também deverá ser considerado), e dado que é mais sustentável encorajar a reparação de milhares de bicicletas que não eram usadas com frequência, consideramos fundamental a emissão de vouchers de 50€ para a reparação de até 50.000 bicicletas”, propõem também estas duas associações.

Zero e MUBi lança também um repto ao Governo de que inicie o mais brevemente possível um programa de incentivo a movimentos pendulares casa-trabalho em bicicleta, a exemplo dos que já existem em vários países europeus.

“Este tipo de programas tem um grande potencial na transferência modal efetiva do automóvel para a bicicleta nas deslocações quotidianas, e comprovadamente resulta num excelente retorno positivo para a sociedade, nomeadamente em termos de saúde pública e também, e por conseguinte, de redução do absentismo laboral”, salienta a associação Zero.