O mais antigo templo japonês no caminho para Quioto

Francisco Sande e Castro
Francisco Sande e Castro
Jornalista e Escritor

Na tarde em que me despedi dos meus amigos ainda fiz uns 200 Km. Cheguei à conclusão que tanto as estradas como a paisagem nestas ilhas são mais interessantes para o interior de serra que na costa, pois a construção japonesa não faz jus aos antigos pagodes e é muito feia, de um modo geral. O interior das ilhas tem muito pouca construção e muita vegetação com grandes declives resultando em paisagens fantásticas.

Pelas quatro e meia da tarde comecei a procurar um hotel mas, ainda por causa do Obon, em que os japoneses tiram uns dias de férias, estavam todos cheios. Num dos vários em que parei ainda veio a menina a correr cá fora quando eu estava a arrancar dizer que tinha acabado de falar uma pessoa a cancelar, mas era caro para o meu orçamento e segui viagem. Era quase noite quando finalmente encontrei um quarto. Entretanto tinha ficado sem dinheiro porque naquela ilha os cartões estrangeiros não funcionam nas máquinas multibanco, onde me abasteço em todos os países. Felizmente nos hotéis e bombas de gasolina deixavam-me pagar com cartão de crédito e, como levo comigo uns dólares de reserva, no dia seguinte, ao terceiro banco lá consegui trocar 100.

Continuei perto da costa oriental sem mapa e portanto evitando afastar-me muito. Pelas quatro da tarde fui a um hotel perguntar se tinham vagas mas como estava cheio optei por acampar num parque de campismo junto à praia, só o segundo que vejo no Japão.

Encontrei um americano que tinha estado três anos a dar aulas de inglês na ilha e partira, estrada fora, numa viagem de bicicleta até Tóquio. Foi bom poder mais uma vez falar com alguém pois para além do sérvio e da mulher passei a semana toda só a comunicar por gestos ou, em muitos casos, eu a falar inglês e eles, sem perceberem patavina, a responderem em japonês, como se eu percebesse perfeitamente.

Choveu a noite toda, felizmente já depois de ter montado a tenda. Mesmo assim dormi bastante bem e só acordei perto das oito. Tomei um grande banho de mar e depois um duche nos balneários da praia que funcionava com moedas de 100 yenes. Quando pus a primeira não reparei que não tinha mais de maneira que me vi naquela situação tipo Mr Bean em que tive que voltar a vestir o fato de banho com o corpo coberto de sabão e a cabeça de shampoo, para ir à loja local trocar dinheiro.

Nesse dia deixei a ilha de Shikoku e voltei à confusão de Honshu, a maior e onde estão as principais cidades japonesas. Fui direito a Nara, a mais antiga capital, antes de Quioto e Tóquio, que um japonês me tinha recomendado visitar. Chegado lá fui direito ao parque da cidade que tem a curiosidade de ter centenas de pequenos veados à solta, que se passeiam tranquilamente pelo parque, por vezes vindo para as estradas, alimentados por bolachas dadas pelos turistas. Criam um ambiente giro. No dia seguinte voltei lá para visitar o templo Todai Ji onde está uma das maiores estátuas de Buda e certamente a mais valiosa. Tem quinze metros de altura e para a construir foram utilizadas 437 toneladas de bronze e 130 de ouro. Fantástico.

Fui ainda visitar o Kofuku Temple que, com cinco andares, foi transferido de Quioto em 710 d.c. para residência da família Fugiwara, a mais influente da época.

Da parte da tarde, antes de partir para Quioto passei a ver o mais antigo templo Japonês, o Horyu-Ji, fundado no ano de 607.

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*Francisco Sande e Castro está a dar a volta ao mundo de moto e M24 publica o seu diário de bordo. Acompanhe-o nesta grande aventura

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