Ensaio Kia Sorento 2.2 CRDi AT8: As novas aventuras dos sete

Pedro Junceiro
Pedro Junceiro
Editor Conteúdos

Tem uma grande família? Leva muita gente a bordo de forma frequente? Então a renovada Kia Sorento pode ser a solução mais adequada para si, uma vez que conjuga um motor Diesel de 200 CV com uma nova caixa automática de oito velocidades que permite maior eficiência e facilidade de utilização. Ideal para as novas aventuras dos sete.

O Sorento é um dos casos de sucesso mais interessantes no historial contemporâneo da Kia: só em 2016, este SUV de maiores dimensões representou 15.769 unidades matriculadas para a marca sul-coreana, sendo um importante auxilio no crescimento da marca no Velho Continente. Tempo, então, para uma pequena renovação. Subtil, porque o estilo deste Kia mantém-se atual e aponta para uma visão mais Premium que, aponte-se, não desilude quem procura qualidade e requinte num ‘pacote’ mais versátil.

Falemos de versatilidade

O modelo da Kia mantém a sua mais-valia de lotação para sete passageiros em configuração 2+3+2, com última fila de bancos a esconder-se sob o piso da bagageira. Na variante de cinco lugares, espaço para 605 litros, o que é um valor muito interessante, descendo para os 142 litros quando os sete lugares estão operacionais. Caso as duas últimas filas de bancos sejam recolhidas sob o piso da bagageira, a capacidade aumenta para proverbiais 1662 litros, o que lhe garante muita amplitude para quase todos os tipos de objetos.

O bocal de carga largo e o portão de abertura automática são outros dos pontos positivos de um modelo que é facilmente configurável nas variantes de cinco ou de sete lugares para atender às necessidades de cada momento.

Por outro lado, abordando então o espaço para os ocupantes, nota para a boa amplitude geral quando se escolhe a configuração de cinco lugares, com boas cotas de habitabilidade em largura, altura e no comprimento para as pernas, mesmo que este, por via de calhas no piso, possa variar para dessa forma facilitar as viagens dos ocupantes dos dois últimos bancos.

Estes representam um misto de sensações. Por um lado, de forma surpreendente, permitem uma boa habitabilidade para adultos de estatura média – até 1,70-1,75 m -, sendo melhor nesse capítulo do que, por exemplo, um Nissan X-Trail, na medida em que a amplitude para as pernas é relativamente boa desde que o segundo banco também se mova para a frente (sem que o passageiro desse lugar tenha de comprometer o seu próprio conforto). Permitem que se ponham os pés debaixo do banco da segunda fila, o que é interessante não obrigando a que as pernas fiquem demasiado dobradas. No entanto, aceder aos mesmos a partir do exíguo espaço que se gera entre a segunda e a terceira fila obriga a dotes de contorcionismo e um corpo ‘delgadito’ de forma a alcançá-los. Sair é um tanto ou quanto pior. Quem circula na terceira fila pode beneficiar ainda de sistema de ar condicionado dedicado.

No que diz respeito à qualidade geral, esta Kia é hoje um exemplo de rigor, sobriedade e capacidade, com um interior muito bem concebido e com materiais bem pensados que justificam bem a sua ambição de alternativa aos modelos Premium alemães. Bancos em pele (neste caso com aquecimento e ventilação) e boa disposição de comandos traduzem uma elevadíssima experiência de vivência a bordo, notando-se ainda um bom isolamento acústico. Ainda assim, a sonoridade do motor turbodiesel não é perfeitamente suprimida, ouvindo-se de forma mais evidente quando se carrega no acelerador com mais intensidade.

Motor com pujança

Outra boa surpresa é o desempenho do motor 2.2 CRDi de 200 CV e de 441 Nm de binário, que está disponível logo às 1750 rpm. Na prática, o Sorento resulta muito rápido nas acelerações, com uma disponibilidade muito forte logo em redor das 1500 rpm, que se estende depois por uma faixa de rotações ampla, mostrando-se sempre pronto a aumentar o ritmo. Efetivamente, consegue oferecer registos muito interessantes, quase inesperados para uma carroçaria volumosa que ronda os 1900 kg de peso, nunca deixando o condutor desprevenido. É esse seu fulgor que traduz uma experiência de condução muito despreocupada e… despachada.

Cabe à caixa automática de oito velocidades o epíteto de grande novidade do Sorento em versão 2018, demarcando-se pelas passagens suaves na grande maioria das vezes. Aliás, é um exemplo de suavidade geral, fazendo bom uso da sua gestão eletrónica para aproveitar o binário disponível em cada uma das oito relações. Ainda assim, revela, de forma muito ocasional, alguma tendência para manter a mesma mudança por demasiado tempo. Faltando patilhas atrás do volante, fica a necessidade de recorrer à alavanca da caixa para o modo manual/sequencial. Um pequeno apontamento que não mancha o desempenho geral do binómio motor-caixa em eficaz combinação motriz.

O Sorento conta com modos de condução que alteram alguns dos parâmetros do chassis, como a ação da caixa ou a resposta do acelerador, variando entre o ‘Eco’, ‘Sport’, ‘Comfort’ e ‘Smart’, cabendo a este último a adaptação do modo de condução ao estilo da mesma em cada momento. Assim, em determinados momentos, poderá estar em modo ‘Smart’ e a condução ser mais ecológica ou desportiva, havendo uma barra no computador de bordo que indica qual está a ser mais comum em cada momento. A alteração das respostas não é fundamentalmente diferente, mas sente-se, sobretudo quando se aciona o modo ‘Sport’, que torna a reação do acelerador mais imediata.

Quanto a consumos… Aos 6,2 l/100 km anunciados é muito difícil chegar. Conte, antes, com registos bem vincados nos oito litros. No nosso ensaio, em 100 quilómetros nos quais 55 foram em cidade e os restantes 45 repartidos entre nacionais e autoestrada sempre a velocidades constantes e nos limites, a nossa média foi de 8,6 l/100 km. Ainda assim, são 200 CV de energia e um formato SUV que, como se sabe, não é dos mais eficientes.

Mais: Prestações, versatilidade, conforto, equipamento.

Menos: acesso à terceira fila de bancos, consumos.

Quanto ao comportamento, o Sorento é um modelo que sobressai pelo conforto, com ligações ao solo pensadas para um amortecimento mais macio e filtragem competente das imperfeições no asfalto, logrando proteger muito bem os ocupantes do piso mais estragado. Ainda assim, num bom equilíbrio, também revela boa agilidade, mas sem mostrar muito ‘apego’ a condução muito viva, até porque a carroçaria adorna ligeiramente em curva. No cômputo geral, um SUV de bom equilíbrio dinâmico que privilegia muito mais a vida tranquila a bordo, mas que não se coíbe de oferecer segurança q.b. para condução mais ritmada. Sem abusos… até porque aquilo que faz em matéria de conforto fá-lo muito bem. A direção tem um peso bem medido, respondendo com precisão.

Equipamento: tudo e um par de botas

A lista de equipamento deste Kia Sorento 2.2 CRDi é bem interessante e revela uma abordagem interessante por parte da marca. Na verdade, difícil é encontrar aquilo que fica de fora do equipamento de série, porque está quase tudo incluído no material de série, justificando desta forma o seu preço que na fasquia dos 50.000 euros na versão Premium (50.570€ com financiamento da marca) e que serve como um dos predicados a ter em conta atendendo a tudo o que inclui, como por exemplo sistemas de manutenção na faixa de rodagem, sensores de luminosidade e de chuva, câmara de estacionamento com visão 360º, tampa da bagageira com abertura elétrica, jantes de 19 polegadas, entre outros elementos.

VEREDICTO

Para quem procura um veículo de âmbito familiar inserido no estilo da moda, o dos SUV, é difícil não encontrar no Sorento uma boa opção. Qualidade elevadíssima, acima de qualquer suspeita, habitáculo bem desenhado e repleto de funcionalidade e de espaços de arrumação e boa versatilidade aliam-se a um motor turbodiesel que é uma boa surpresa pela sua energia e desenvoltura. Sobretudo, porque a nova caixa automática de oito velocidades é uma adição bem-vinda, conseguindo não só melhorar as prestações, como também introduzir mais suavidade na condução.

FICHA TÉCNICA

KIA SORENTO 2.2 CRDI AT8 PREMIUM
Motor: 4 cilindros em linha, 2.199 cc, turbo, intercooler, injeção direta
Potência: 200 CV às 3800 rpm
Binário máximo: 441 Nm às 1750 rpm
Transmissão: Caixa automática de oito velocidades
Aceleração 0-100: 9,4 s
Velocidade máxima: 203 km/h
Consumo médio anunciado (medido) 6,2 l/100 km (8,6 l/100 km)
Emissões de CO2: 164 g/km
Comprimento/largura/altura 4800/1890/1685 mm
Distância entre eixos 2780 mm
Peso (c/ condutor) 1901 kg
Bagageira: 660-1732 litros
Pneus 235/55 R19
Preço base: 50.570€ (com campanha)

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