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Ineos: A empresa que quer investir 300 milhões em Portugal para produzir carros 4×4

A Ineos, companhia multifacetada de âmbito global, pretende lançar-se na produção de um automóvel todo-o-terreno com o mesmo espírito do anterior Land Rover Defender, surgindo agora informações de que a fábrica poderá ser implantada em Portugal, mais concretamente em Estarreja.

A notícia, avançada pelo Jornal de Notícias, adianta que em causa estará um investimento de 300 milhões de euros a ser feito na zona de Estarreja, havendo lugar ainda à criação de um total de 600 postos de trabalho diretos, sem contar, portanto, com toda a cadeia de fornecimento que esta infraestrutura poderá representar.

Ainda de acordo com o JN, foi criada uma empresa de direito especializada em fabrico de automóveis, a Amazing Wheels, podendo o início da produção ocorrer já dentro de dois anos, recorrendo a motores BMW para a produção daquele que será então o primeiro TT ‘puro e duro’ da Ineos, cuja denominação será Grenadier 4×4.

No entanto, apesar do arrojo desta tarefa, a Ineos tem uma larga experiência em diversas áreas industriais, com relevo para a dos químicos. Liderada pelo multimilionário Jim Ratcliffe, um entusiasta dos automóveis e adepto confesso do icónico Land Rover Defender de anteriores gerações, a Ineos idealizou a ideia de conceber um sucessor espiritual para esse mesmo veículo ainda em 2015, quando a marca do grupo Tata anunciou o final de produção do Defender por não cumprir com os padrões ambientais europeus para as emissões.

Mas, em conversa com amigos num bar inglês, denominado ‘The Grenadier’, Ratcliffe teve a primeira ideia para a criação da Ineos Automotive e para o desenvolvimento de um todo-o-terreno na mesma linha do Defender anterior. O nome do bar deu também origem à denominação do veículo, que deverá nascer dentro de dois anos.

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A Ineos é uma das maiores ‘players’ no ramo da engenharia química, sendo frequentemente apelidada como “a maior empresa do mundo de que nunca ninguém ouviu falar”, devido ao facto de não ter produtos diretamente ao dispor dos clientes particulares (estando presente em quase todo o lado, ainda assim), como admitem em jeito de brincadeira os próprios responsáveis da companhia, a começar por Ratcliffe.

Contudo, agora, prepara-se para embarcar num novo desafio ao pretender criar um modelo com “filosofia própria” ao invés de replicar diretamente o estilo e a imagem do Land Rover Defender. Será a primeira vez que a Ineos vai produzir um automóvel.

“O mercado a que apontamos é global e inclui os trabalhadores da agricultura e em florestas, exploradores e aventureiros, bem como os tradicionais adeptos do Defender que pretendem apenas uma experiência de condução 4×4 autêntica”, refere a companhia, citada na revista britânica Autocar há algum tempo.

Com este sucessor espiritual do Defender, a Ineos admite que pretende preencher um vazio criado com o final da produção daquele modelo, mas também “dar um passo em frente na melhoria da qualidade de construção e na fiabilidade” do Defender original.

O facto de ter muita engenharia alemã, a começar pela parceria com a BMW para o fornecimento de cadeias cinemáticas, levou a que este jipe tenha, por enquanto, a denominação ‘Projekt Grenadier’, sendo um projeto que terá a liderança de Dirk Heilmann, antigo responsável de tecnologia e engenharia na Ineos e agora responsável da Ineos Automotive. Além disso, noutro foco germânico, a Ineo também conta com o auxílio de uma outra empresa na área da engenharia, a MBTech, que mais não era do que uma subsidiária da Mercedes-Benz (denominada Mercedes-Benz Technologies), mas que foi posteriormente vendida na sua maioria.

O veículo de produção em série deverá recorrer a um esquema de carroçaria em alumínio num chassis de aço, com sistema de tração integral.

Gales também na corrida

Porém, o País de Gales também está na corrida para receber a fábrica do Grenadier. Em meados de agosto, a revista Autocar dava conta, citando o ministro galês da Economia, Ken Skates, em declarações à Rádio BBC Gales, que Bridgend estaria em muito boa posição para receber a produção deste todo-o-terreno, tanto mais que poderia aproveitar alguns dos recursos da fábrica da Ford que irá fechar naquele local.

A decisão será tomada no final deste ano.