/“Kia vai cumprir meta de emissões sem cortar modelos”

“Kia vai cumprir meta de emissões sem cortar modelos”

Numa fase transitória que se espera de grande dificuldade para as marcas automóveis, a Kia evidencia alguma tranquilidade, atendendo ao seu plano de produto com diversos Plug-in prestes a chegar e um reforço na aposta elétrica. Para Emilio Herrera, diretor de operações da Kia Motors Europe (KME), o plano é fortalecer a vertente de eletrificação para precaver a chegada da meta de 95 g/km de emissões de CO2 estabelecida para 2020.

Em declarações prestadas ao Motor24 durante o evento de apresentação do novo Xceed, que será de fundamental importância para a marca no mercado europeu, Emilio Herrera apontou uma estratégia com dois pilares que permitirão à Kia atravessar a fase de transição das emissões de CO2 de maneira mais ambiciosa.

Interrogado se a Kia estará em posição de cumprir o valor de 95 g/km de CO2 em 2020, o espanhol deixou bem claro que não existe outra opção, embora sempre pensando também no lado comercial: “Sim [quanto ao cumprimento], os meus superiores disseram-me que reduzir o volume de vendas não é uma opção e pagar uma multa também não…”, começou por dizer, gracejando, mas apontando de seguida o caminho a seguir. E esse é bastante óbvio: reforçar as vendas de elétricos, uma circunstância que até aqui tem sido dificultada pela oferta inferior à procura. As causas prendem-se com um ritmo de produção mais lento do que o da procura por parte dos mercados, o que será resolvido ainda este ano.

“A produção de elétricos da Kia no último trimestre será maior do que em todo o ano. A procura é muito maior do que esperávamos. Para o ano, temos de vender 40 mil elétricos na Europa para cumprir a meta das emissões”, afirma, suportado também pelo Diretor Geral da Kia Portugal, João Seabra, que acredita que será possível à marca atingir essa marca facilmente.

No entanto, sabendo-se que há marcas que estão a apostar noutra estratégias, nomeadamente, com o corte de modelos ou gamas inteiras para baixar a médias das emissões poluentes, Emilio Herrera garante que na Kia “isso não é tema. Não vamos cortar qualquer modelo, nem desistir do segmento A. Há marcas que estão a cortar no segmento A, mas para nós não existe esse risco. Vamos ter um novo Picanto, por exemplo”.

Quanto ao Xceed, a sua importância será fundamental para a Kia, cumprindo com a estratégia objetiva da marca de lançar modelos exclusivos para o mercado europeu. Para Herrera, essa “é a única forma de nos diferenciarmos. Quando lançámos o Ceed dissemos duas coisas – primeiro, que íamos eletrificar, segundo, diversificar. Acreditamos que este [modelo] será muito atrativo e o mais vendido da gama Ceed. Acreditamos que no total da gama o Xceed será cerca de 50% das vendas, por dois motivos: um, porque é um crossover, que é a tendência do mercado, e depois, porque vamos ter uma versão Plug-in híbrida, que estará pronta em finais de novembro e que será muito importante em todos os mercados, até mesmo em Portugal”.

João Seabra, do lado português, também acredita no sucesso do novo Xceed como forma de fazer crescer a marca na Europa, lembrando que “a qualidade Premium dos nossos carros, aliada ao design, dar-nos-á muito a ganhar. Estamos a atrair outro tipo de clientes que não só os que vinham para a Kia anteriormente”.

Sobre o tópico das emissões, o responsável de operações da Kia em Portugal aponta que “estamos bem posicionados, porque temos dois elétricos, o e-Niro e o Soul, teremos os Plug-in e os mild-hybrid e os Diesel, que ajuda ainda a baixar. Para a Kia poder cumprir sem qualquer tipo de problemas, sem subterfúgios, para o ano tem de vender 35 mil elétricos, mas os mercados pedem 80 mil. Não temos de inventar modelos, temos só de os trazer para a Europa, é uma questão estratégica”, afiançou.