Criador de alguns dos mais bem-sucedidos monolugares de Fórmula 1 e do inovador superdesportivo McLaren F1, considerado por muitos como um dos melhores na sua classe, Gordon Murray criou um novo carro, extremamente evoluído nos aspetos técnicos e aerodinâmicos, incluindo uma ventoinha na parte traseira – um ‘piscar de olho’ ao seu carro de Fórmula 1 mais polémico, o Brabham BT46B.
O novo GMA (Gordon Murray Automotive) T.50 pode ser considerado sucessor do icónico McLaren F1, não escondendo algumas semelhanças estéticas e aprumo aerodinâmico, a que se junta um profundo cuidado para manter o peso sob controlo, ficando mesmo abaixo dos mil quilos (986 kg), o que promete prestações fora de série atendendo ao facto de dispor de um motor V12 de 3.9 litros com 663 CV de potência, com ‘redline’ às 12.100 rpm, um recorde para os carros de estrada. Este motor foi concebido à medida pela Cosworth, conhecida preparadora e construtora de motores britânica.
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Estranhamente, o valor de binário não é muito elevado, ficando pelos 467 Nm às 9000 rpm (71% disponível às 2500 rpm), mas o baixo peso deverá compensar essa circunstância. O motor V12 foi também concebido para ajudar ao baixo peso, não excedendo os 178 kg no total.
Ao contrário de muitos superdesportivos, que confiam em caixas automáticas, este modelo irá recorrer a uma caixa manual de seis velocidades com padrão em ‘H’, produzida pela Xtrac, também ela aprimorada para oferecer a melhor experiência possível ao condutor. Esta caixa manual tem um peso de apenas 80.5 kg.
Comemorando o seu 50º projeto – daí a denominação T.50 –, este modelo é evocativo dos outros carros que desenhou com o foco a ser o condutor, que se senta em posição central, ao estilo de um caça ou monolugar. Esse é um dos pontos fundamentais do T.50, a que se junta, por exemplo, o Canal de Indução Sonora, que leva o som do motor V12 diretamente para o habitáculo. Um sistema iniciado no McLaren F1 e evoluído neste GMA T.50.
Uma tomada de ar está situada sob a cabeça do condutor e painéis de fibra de carbono atuam como altifalantes, amplificando a sonoridade do motor no habitáculo. Este sistema é gerido a partir do ângulo do acelerador (feito em titânio) e não das rotações, garantindo assim refinamento a baixas rotações.

O chassis e a carroçaria serão construídos em fibra de carbono de elevada qualidade, prometendo assim elevada rigidez torsional e resistência, mas também ligeireza. A aerodinâmica, que é apontada como a mais avançada alguma vez aplicada num carro de produção em série, permite seis modos de atuação, entre otimização da dinâmica e da performance pura – Auto, High downforce (carga aerodinâmica elevada), Streamline (esguio), Braking (travagem), Test (teste) e V-Max Boost (incremento da velocidade máxima), sendo este capaz de aumentar a potência para os 700 CV. O modo Streamline consegue criar uma ‘cauda’ virtual para aumentar a sua eficiência aerodinâmica.
Sem apêndices ou spoilers exagerados, o T.50 terá uma componente tecnológica muito vincada – se os controlos de estabilidade e de tração podem ser totalmente desativados, conta, por outro lado, com seis modos aerodinâmicos que são auxiliados por intermédio da ventoinha traseira, com um diâmetro de 400 mm. Assim, em aliança com os spoilers traseiros ativos e difusores interativos, a ventoinha (alimentada por um sistema elétrico de 48V) pode aumentar a carga aerodinâmica em 50% (no modo de Travagem pode mesmo gerar mais 100% de carga aerodinâmica), conseguindo mesmo ‘oferecer’ mais 50 CV ao motor V12 atmosférico.
O T.50 distingue-se ainda pelas jantes de 19 polegadas à frente e de 20 polegadas atrás, dando uma aparência ainda mais robusta a um desportivo que é compacto: comprimento de apenas 4352 mm (semelhante, por exemplo, a um Honda Civic) e largura de 1850 mm. Os faróis com tecnologia LED são uma homenagem aos do McLaren F1 da década de 1990, daí a sua aparência familiar.
Os clientes terão uma participação ativa no final do desenvolvimento, tendo por exemplo pedais e bancos personalizados para uma posição de condução ótima. Todos os comandos estão orientados para si, mas não há ecrãs táteis que possam distrair o condutor (mesmo se terá compatibilidade com os sistemas Android Auto/Apple CarPlay e com os smartphones. O sistema de som também não foi esquecido, com um total de dez altifalantes (700W de potência). Gordon Murray promete ainda uma capacidade de utilização quotidiana, com possibilidade de acomodar três adultos (1+2) e uma bagageira com 288 litros. Há até um ‘GT Mode’ para domar o motor para utilização diária.
O novo T.50 terá produção limitada a apenas 100 unidades, com início previsto para o mês de janeiro de 2022 na fábrica da Gordon Murray Automotive no Reino Unido. O preço para esta obra de engenharia moderna será também ele bastante exclusivo: 2.36 milhões de libras (sem impostos), algo como 2.6 milhões de euros.








































