Lando Norris à frente de Verstappen no Brasil.  EPA/ANDRE COELHO
Desporto

Lando Norris vence no tempo misto de Interlagos e Mercedes sagra-se campeã mundial de construtores

Piloto britânico da McLaren resistiu às armadilhas da pista húmida para quebrar um jejum que durava desde agosto, batendo um imparável Max Verstappen, que recuperou de 21.º até 2.º, num domingo em que a equipa de Brackley selou matematicamente o título coletivo.

Ricardo Simões Ferreira

Lando Norris regressou este domingo (8 de novembro) ao lugar mais alto do pódio ao vencer o Grande Prémio de São Paulo, 20.ª ronda da temporada de 2026 de Fórmula 1. Num Autódromo José Carlos Pace marcado pela transição do piso molhado para o seco (e de novo para o molhado), o piloto da McLaren converteu a pole position num triunfo categórico, cruzando a linha de meta ao fim das 71 voltas com 14,602 segundos de vantagem sobre Max Verstappen e 24,485 segundos sobre Isack Hadjar, que colocaram os dois monolugares da Red Bull no pódio.

Mais atrás, o quarto lugar de George Russell e o quinto do já campeão de pilotos Andrea Kimi Antonelli bastaram para coroar oficialmente a Mercedes como Campeã Mundial de Construtores de 2026.

A corrida começou sob condições traiçoeiras, exigindo pneus intermédios antes da passagem para os compostos macios (slicks) numa pista ainda húmida. Norris não teve um arranque perfeito a partir do primeiro lugar da grelha (chegou a perder o primeiro lugar para Antonelli), mas manteve a frieza necessária quando a janela de paragens nas boxes ditou o ritmo da frente.

"Foi uma corrida muito dura, mesmo muito dura. Não tive o melhor dos arranques na saída da grelha. Houve muitos desafios hoje com as condições e passar para os pneus slicks no molhado é sempre difícil, especialmente quando estás a forçar pela liderança e a tentar recuperar um pouco", disse Lando Norris no parque fechado, sublinhando a chave para repetir o triunfo alcançado em Interlagos em 2025: "O principal hoje foi ter mantido a calma, não ter cometido erros e ter tido o ritmo quando precisei dele. É bom estar de volta ao degrau mais alto do pódio e que lugar para o fazer."

Esta vitória representa o primeiro triunfo da estrutura de Woking desde agosto, algo que o britânico fez questão de dedicar aos engenheiros e mecânicos. "Estou a dar o meu melhor. Este fim de semana tivemos uma oportunidade de fazer a pole e uma oportunidade de vencer, e sinto que na maioria das vezes este ano em que surgiu uma oportunidade, eu fui atrás dela e conseguimos alcançá-la. Tenho de deixar um grande agradecimento à equipa porque continuam a trabalhar arduamente. É frustrante quando não lhes consegues retribuir com um bom resultado, como nas últimas semanas, mas certamente este fim de semana sinto que conseguimos retribuir e dar-lhes uma recompensa pelo seu trabalho árduo", acrescentou Norris, prometendo "continuar a forçar até ao final do ano".

De 21.º para 2.º: A recuperação de Verstappen travada no stint final

Se Norris dominou na frente, o maior espetáculo da tarde veio do fundo do pelotão. Penalizado na grelha e obrigado a largar da 21.ª posição, Max Verstappen rubricou uma primeira metade de corrida demolidora com os pneus para piso húmido, galgando lugares a um ritmo vertiginoso. Mas após a troca para pneus de piso seco, o neerlandês sentiu uma alteração brusca no comportamento do seu Red Bull que o impediu de lançar um ataque à liderança de Norris.

"Foi uma corrida desafiante. As primeiras voltas foram, claro, muito importantes e ultrapassei muitos carros. Na verdade, esse primeiro turno foi muito, muito forte. Infelizmente, depois disso, não sei se apanhámos algum tipo de dano, porque o carro parecia o completo oposto do que senti durante todo o fim de semana, com um equilíbrio muito estranho", revelou o tetracampeão mundial. "Assim que cheguei ao segundo lugar, não consegui realmente ganhar terreno. Temos de perceber o que correu mal ali, mas largar de 21.º e terminar no pódio em segundo é um resultado muito bom."

Na sua escalada rumo ao segundo posto, Verstappen teve de superar o seu próprio companheiro de equipa, Isack Hadjar. O jovem francês, que alinhou em quinto na grelha, protagonizou uma exibição segura para garantir o degrau mais baixo do pódio (a 24,485 segundos do vencedor), mas admitiu no final que a gestão da aderência, sobretudo na entrada das boxes, e o duelo interno com Verstappen não foram isentos de sobressaltos.

"Foi tão difícil, tão desafiante, especialmente na transição dos intermédios para os pneus macios, a evitar as armadilhas. Foi extremamente complicado, sobretudo na via das boxes, onde se viu o quão traiçoeiro era guiar", confessou Hadjar. "Estou feliz por ser terceiro, mas preciso de continuar a cometer menos erros, porque podia ter evitado uma situação um pouco desconfortável com o Max. Quero apenas pedir desculpa porque, naquele turno, podia ter mantido o carro mais dentro de pista."

Festa da Mercedes e tarde discreta para a Ferrari

Logo atrás do trio do pódio, a Mercedes geriu a corrida com a calculadora na mão. George Russell, que caira de segundo para sétimo na grelha devido a uma penalização de cinco lugares, recuperou até ao quarto posto (+33,991 segundos), cruzando a meta escassos dois segundos à frente de Andrea Kimi Antonelli (5.º, a +36,017 segundos), que largou da primeira fila mas perdeu terreno na fase inicial.

Os 22 pontos somados pela dupla da equipa de Brackley foram mais do que suficientes para selar matematicamente o Campeonato do Mundo de Construtores a três provas do fim da época, face a uma Ferrari que nunca teve argumentos para adiar a decisão.

Penalizados na grelha, Charles Leclerc (partiu de 14.º e terminou em 7.º, a 73,586 segundos, atrás do McLaren de Oscar Piastri, 6.º a 56,475 segundos) e Lewis Hamilton (largou de 20.º e fechou no 9.º lugar, já a uma volta de atraso) limitaram-se a minimizar danos.

O lote dos dez primeiros ficou completo com Liam Lawson (Racing Bulls), que depois de ter brilhado na qualificação com o terceiro lugar da grelha recuou para oitavo (+75,402 segundos), e com Nico Hülkenberg, que partiu de quarto mas salvou apenas o último ponto disponível (10.º, a uma volta) para a Audi.

Entre os pilotos da casa, Gabriel Bortoleto (Audi) cortou a meta no 16.º lugar (a uma volta), enquanto o estreante Rafael Câmara (Haas) fechou a classificação no 20.º posto (a duas voltas), numa corrida em que apenas Lance Stroll (Aston Martin) e Valtteri Bottas (Cadillac) não viram a bandeira de xadrez.

Lando Norris consegue a 'pole position' sob chuva em Interlagos

Ferrari vale mais sozinha do que a Volkswagen e a Renault juntas

BYD Yangwang U9 Xtreme quebra a barreira dos 500 km/h e reclama recorde absoluto de velocidade

Cybertruck tem fim anunciado. O projeto de milhares de milhões que a Tesla desliga sem tentar a Europa

Fiat 500. Stellantis prolonga paragem em Mirafiori e reacende braço de ferro com os sindicatos