Ao conquistar o bis na baja da Escuderia Castelo Branco, marcada pelos caprichos da meteorologia, que em muito dificultaram a tarefa dos concorrentes, Alejandro Martins não só repetiu proeza que apenas João Ramos alcançara, como teve o condão de recolocar o piloto da Toyota Hilux na corrida à vitória no campeonato.
Com o match nulo protagonizado por Hélder Oliveira e por João Ramos, que apesar da desistência mantiveram as primeiras posições no campeonato, o quinteto de candidatos passou a estar separado por 15 pontos, com apenas oito pontos reais a marcarem a diferença entre 1.º e 4.º classificado: Hélder Oliveira, João Ramos, Tiago Reis e Pedro Ferreira contabilizam quatro resultados; Alejandro Martins soma três.
Antevê-se luta tremenda na edição n.º 32 da emblemática Baja Portalegre 500, prefigurando um final de temporada empolgante.
Para trás, ficou uma Baja TT de Idanha-a-Nova que perdeu, praticamente, à partida, um dos mais fortes candidatos ao triunfo: João Ramos, que partiu uma manga de eixo da Toyota Hilux após passagem sobre um buraco.
«Foi o acidente mais desanimador que alguma vez tive, pois ia a um ritmo normal sem exagero algum», lamentou o piloto.
Alejandro Martins entrou bem, venceu o prólogo, perdeu liderança após o 1.º setor, reconquistou tal posição e terminou com categórico triunfo no mais extenso e derradeiro troço cronometrado.
No final, o vencedor reconheceu dificuldades, «principalmente devido às adversas condições climatéricas. Caiu uma chuva torrencial e muito, mas muito granizo na zona de Penamacor.
Foi uma das provas mais difíceis que fizemos, porque nunca vi nada igual. Logo a seguir, atravessámos o asfalto e estava tudo seco. Passámos pelos extremos», descreveu Alejandro Martins.
Apesar das contrariedades, o piloto da Toyota Hilux preparada pela MRacing, reconheceu que «fizemos uma prova limpa, sem percalços, o que nos permitiu reentrar na luta pelo título».
O piloto da VW Amarok foi o mais rápido no 1.º setor do último dia, mas furou no derradeiro, quando uma verdadeira tromba de água se abateu sobre a zona onde decorria a baja.
«Após ter furado, consegui perceber o tempo que estava a fazer e sabia que não conseguia chegar ao da frente, mas que podia gerir a corrida relativamente ao adversário que vinha atrás. E foi esta a minha aposta», confessou Pedro Ferreira, motivado para o final do campeonato:
«Graças a este resultado, vamos a Portalegre com a possibilidade de sermos campeões e faremos o nosso melhor para conquistar esse objetivo».
Nuno Matos levou nova Ford Ranger ao pódio
O facto de abrir a pista no último dia, dificultou a tarefa, consequência dos fortes aguaceiros:
«Choveu muito durante a noite e o troço da manhã estava bastante enlameado. Fomos muito cautelosos, uma vez que a pista estava traiçoeira», explicou Nuno Matos, que teve alguns problemas de travões, corrigidos na assistência, antes de um setor final, verdadeiramente, apocalíptico:
«O troço foi épico. A dada altura choveu imenso, houve queda fortíssima de granizo, mas um furo atrasou-nos bastante. Depois do problema resolvido, arrancámos com o macaco hidráulico ainda em baixo, dobrou o ferro, até que recebemos ordens para arrancar e ainda andámos um bom par de quilómetros a arrastar o ferro a arrojar. Perdemos muito tempo», revelou Nuno Matos.
O piloto alentejano não poupou elogios à nova Ford Ranger:
A regularidade foi, de novo, o trunfo de Paulo Rui Ferreira. O piloto leiriense da Toyota Hilux terminou na 4.ª posição, após «uma prova dura, em que, na na mesma etapa, tivemos muito calor, pó, chuva torrencial, ao ponto de não vermos a pista, granizo de partir o para-brisas e muita lama».
Para Tiago Reis, esta baja ficou marcada pelo sobreaquecimento do motor do Mitsubishi Racing Lancer, e ainda pela troca da correia do alternador no derradeiro setor cronometrado, vides que terão obstado a que o piloto do Team Transfradelos fosse além do 5.º lugar final.
«Terminámos o primeiro dia na oitava posição e daí para a frente tentámos recuperar, mas não foi possível fazer melhor. Não estando contentes com o resultado, acabamos por sair satisfeitos, uma vez que estamos na luta pelo título», sublinhou o piloto famalicense.
Miguel Casaca (Nissan Navara); André Amaral (Mercedes Proto), Lino Carapeta (Range Rover Évoque Proto); Bruno Rodrigues (Mazda Proto) e o regressado João Rato (Bowler) completaram o top 10.
Entre os desistentes no último dia de prova, destaque para Alexandre Franco (BMW X1 Proto), que ocupava o 6.º lugar após a 1.ª etapa e, já na reta final, para o abandono de Hélder Oliveira.
«Quando tínhamos o quarto lugar mais ou menos controlado não conseguimos evitar a raiz de uma árvore e partimos um triângulo da suspensão dianteira», explicou o piloto do Mini Paceman da CaTTiva Sport.
«Foi uma prova azarada desde início. Como tínhamos uma pontuação para deitar fora, tudo será decidido em Portalegre, onde vamos estar para lutar pelo título», prometeu o piloto de Barcelos.
A dupla Nuno Tordo/José Camilo Martins (Nissan Pathfinder) impôs-se na categoria T2; Eduardo Mota/Nuno Sousa (Nissan Navara) venceram entre os T8.
Na Taça de Portugal, triunfou a dupla Tiago Santos/António Dias (Land Rover Defender).
Bruno Rodrigues no Desafio Mazda
No Desafio Total Mazda, duas penalizações marcaram a prova, uma delas causando alteração na liderança: Pedro Dias Silva foi o mais rápido no prólogo e no 1.º setor, mas foi-lhe aplicada sanção de 1h 20m por excesso de velocidade em zona controlada.
O piloto de Tomar viu-se assim relegado para o último lugar e não arrancou para o último setor, enquanto Jorge Cardoso perdeu um lugar face ao assegurado no final do dia de ontem, mas por ter excedido o tempo máximo no parque de assistência.
Promovida à liderança após o final da etapa inicial, a dupla Bruno Rodrigues/Ricardo Claro venceu os dois setores do último dia. O piloto de Portalegre foi quem melhor conseguiu gerir o esforço durante uma prova «muito dura. Nas zonas rápidas gerimos o esforço dos travões, mas no derradeiro setor apanhámos de tudo, desde calor, a chuva e granizo», referiu o novo líder do Desafio, competição que vai decidir-se em Portalegre.
«Está tudo em aberto e volto a estar na luta», sublinhou.
Referência para as desistências de Jorge Cardoso, nos últimos quilómetros do derradeiro setor, com um problema de transmissão; de Filipe Videira, após uma saída de pista, e de Floriano Roxo.
Classificação
1.º Alejandro Martins/José Marques (Toyota Hilux), 5h 25m 06s
2.º Pedro Ferreira/Hugo Magalhães (VW Amarok), a 7m 06s
3.º Nuno Matos/Pedro Marcão (Ford Ranger), a 14m 55s
4.º Paulo Rui Ferreira/Jorge Monteiro (Toyota Hilux), a 19m 41s
5.º Tiago Reis/Valter Cardoso (Mitsubishi Racing Lancer), a 19m 57s
Campeonato
1.º Hélder Oliveira, 77 pontos
2.º João Ramos, 73
3.º Tiago Reis, 70
4.º Alejandro Martins, 69
5.º Pedro Ferreira, 62
Próxima e última prova: 32.ª Baja Portalegre 500 (25 a 27 de outubro)
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