/Rali Vidreiro Centro de Portugal/Marinha Grande dá nova vida ao Pinhal do Rei

Rali Vidreiro Centro de Portugal/Marinha Grande dá nova vida ao Pinhal do Rei

 

As chagas do tenebroso incêndio do dia 15 de outubro do ano passado ainda lá estão, na mata nacional que se estende ao longo da costa oeste, a norte da Nazaré, mas o Clube Automóvel da Marinha Grande (CAMG) tentou – e foi bem sucedido – que o Pinhal do Rei, mandado plantar por D. Dinis no longínquo século XIII, não caísse no esquecimento.

Nuno Jorge, presidente do CAMG, justificou a aposta com o facto de «as nossas matas terem sofrido muito no ano passado. Perdemos algo importante e todos nós sentimos isso. Dessa forma, é importante que, este ano, o rali se realize no interior das matas».

A mancha hoje negra e decrépita, carente de reflorestação, vai ser, de novo, palco do Rali Vidreiro Centro de Portugal /Marinha Grande 5.ª prova do Campeonato de Portugal e primeiro braço de ferro em asfalto entre os candidatos ao título.

Para Tiago Nunes, diretor de prova, «o incêndio do passado dia 15 de outubro obrigou-nos a mudar um pouco o figurino do rali, mas os troços que vamos realizar na mata são a forma que encontrámos para homenagear o Pinhal do Rei».

A prova terá início na sexta-feira (dia 8 de junho), às 17 horas.

O troço de S. Pedro de Moel, com início junto ao parque de campismo da Orbitur, será percorrido em dupla passagem — 17.00 horas e 19,15 horas — através do que restou do pinhal. É uma das novidades do rali.

O dia terminará com a superespecial (21.05 horas) no centro da cidade vidreira.

No sábado (dia 9 de junho), a abrir, outra novidade significativa e, igualmente carregada de simbolismo: após a saída do parque de assistência, junto ao Estádio Municipal, – 8.40 horas — os concorrentes cumprirão a primeira de três passagens pela classificativa Pinhal do Rei – 9.40 horas; 12.40 horas e 16.45 horas.

Após essa passagem inicial pelo pinhal, a prova desloca-se para norte, rumo ao concelho de Pombal, onde se realizam as especiais de Mata Mourisca (10.45 horas e 14.50 horas — e Assanhas da Paz – 11.25 horas e 15.30 horas).

Ao todo, duas etapas com um total de 461.18 km de extensão, dos quais 110.20 km ao cronómetro divididos por 10 classificativas, para trazer, de novo, cor e vida a um palco pintado de negro, até outubro passado considerado o «pulmão de Portugal».

A exemplo do que sucedeu, com pleno êxito, o ano passado, a cerimónia de entrega de prémios decorrerá em S. Pedro de Moel.

Para o piloto marinhense Rafael Cardeira, «um rali, que passa pela mata e que acaba virado para o mar, é único. Ninguém no mundo consegue montar um rali assim, sublinhou».

Um esforço grande feito pela Câmara Municipal e pelo CAMG para manter o rali no pinhal. Por isso, Rafael Cardeira tem um desejo:

«Espero que a quantidade de público ao longo do percurso permita esconder toda a área queimada».