Há convites irrecusáveis e António Pinto dos Santos que o diga: mal queria acreditar, quatro anos volvidos sobre a estreia no Rally Legend, no desejo da organização em ter, pela segunda vez, a emblemática Renault 4L entre os participantes.
É o regresso a San Marino da dupla portuguesa António Pinto dos Santos/Nuno Rodrigues da Silva a bordo de uma sedutora viatura trintona.
Para alinhar em nova edição da prova que reúne uma plêiade de nomes e carros que fizeram a história dos ralis, de algum modo recordada e reavivada neste singular encontro que ganhou foros de tradição: esta é a 16.ª edição.
Um programa diversificado e apontado à interação dos pilotos com o público, que marca entusiástica presença em grande número, é a chave do sucesso deste rali de memórias, que decorre entre os dias 11 e 14 de outubro,
Para a simpática cátrele, é o reencontro com alguns compagnons de route das gestas mundialistas de outras décadas. Por 11 vezes se fez à estrada e nunca ficou a meio; garbosa e cheia de saúde, chegou sempre ao fim. Desistir não é com esta moçoila atrevida, que pede meças, em aplausos e incitamentos, aos nomes mais famosos e aos modelos mais arrojados.
Espantou no Mundial/WRC, deslumbrou nos históricos, em palcos onde voltou para uma nova vida, como há um ano sucedeu na mítica Volta à Córsega, onde até contou com assistência oficial da Porsche. Convenhamos que, não é para qualquer um.
Aliás, o charme discreto desta velha senhora das classificativas mundiais impressionara no germânico Eiffel e, claro, no Legend, em que contou sempre com o apoio entusiástico de um verdadeiro clube de fás.
É uma lenda, sim senhor, esta Renault 4 L que não tem complexo algum de inferioridade perante os Lancia, Audi, Subaru, Opel, Mitsubishi, Ford, Toyota.
Para António Pinto dos Santos, «perante a elite dos anos 80 e 90 conseguir fazer de Renault 4 L um ícone português, foi uma iniciativa nossa e da qual me orgulho. Conseguimos projetar um modelo que foi importante no século XX como um carro simples e prático, pouco performante, mas apesar de tudo capaz de fazer onze ralis do Mundial».
Este ano, no Rally Legend, entre a cenetna e meia de inscritos, destacam-se Mikko Hirvonen (Ford Focus 2007 WRC); Craig Breen (Citroën C4 2004 WRC); Gustavo Trelles (Toyota Celica); Luca Pedersoli (Citroën C4 2008 WRC) .
A Renault 4 L portuguesa, nascida em 1985, tem o n.º 92 (categoria H1), mas António Pinto dos Santos não altera objetivos, como adiantou ao MOTOR 24:
«As expectativas são as mesmas, ou seja, fazer passar uma imagem de simpatia com um carro que não é muito rápido, mas é giro e talvez pela originalidade merece os aplausos que nos dispensam».
Tantos como, decerto, terão como alvo os pilotos e os Lancia da Parada Martini, que assinala os 50 anos de presença da marca no desporto automóvel.
Uma parada de estrelas ou não fosse este o Rally Legend.
Três etapas e 12 classificativas
O programa e termos competitivos tem início na 5.ª feira (dia 11 de outubro): há verificações, desfile e apresentação dos concorrentes.
No dia seguinte, o shakedown decorre entre as 10.00 e as 14.00 horas. Ao cair da noite (19.00 horas) arranca a 1.ª etapa, com dupla, passagem por I Laghi e San Marino e final à meia-noite.
Esta classificativa será percorrida em dupla passagem, no último dia (domingo, 14 de outubro), entre as 11.00 e as 14.30 horas,
Ao todo, 12 classificativas divididas por três etapas num total de 73,86 km ao cronómetro.