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Novo Mini Cabrio: Nada de novo na frente ocidental

Vira o disco e toca o mesmo. Mas se o disco é dos Beatles, não há razões para mudar a música e se o carro é o Mini, convém não inventar. Em Maiorca ao volante do novo Mini Cooper S Cabrio

Heraclito dizia “A única constante é a mudança”. Tudo na vida um dia acaba, que é a condição natural das coisas. Mas como o filósofo grego também sabia, há exceções que confirmam a regra. Uma delas é o Mini.

O Mini nunca acaba e raramente muda. Não o faz, porque na verdade não precisa. Prova disso é a nova geração do mais popular ícone da história da indústria automóvel britânica que na era moderna é construído sob a égide dos alemães da BMW. Por isso, à pergunta: O que mudou na nova geração do Mini? A resposta só pode ser: pouca coisa. Vamos às principais.

Um novo logótipo e umas novas luzes LED com máximos Matrix à frente e luzes traseiras com o grafismo da bandeira inglesa – a Union Jack. Bom para jornalistas do mundo inteiro fazerem gracinhas com título “Mini Brexit”.

Novas jantes de liga leve, maior diversidade de materiais e opcionais, sobretudo no interior, um novo volante multifunções e quando se abre a porta, temos o logótipo da Mini projetado em luz no chão, que pode ser configurado para escrever o nome do dono, do animal de estimação ou do clube preferido.

Na forma convém não mexer muito, porque o original modelo desenhado por Sir Alec Issigonis em 1959 continua a ser um ícone, precisamente por causa da sua original silhueta que o torna inconfundível, mesmo na sua encarnação moderna. É óbvio que os atuais Mini estão muito distantes — quer em tamanho, quer em tecnologia, quer em preço ou filosofia do carro criado por causa da crise do Suez e do racionamento de combustível na Grã-Bretanha e que rapidamente se tornou num ícone da cultura pop dos anos 60.

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Um Mini dos anos 60 quase que cabe dentro de um Mini do Séc. XXI, mas se olharmos apenas para a forma, identificaremos sempre a silhueta inconfundível de um Mini. É por isso ingrato o trabalho dos designers da marca que já há uma dúzia de anos vão apenas retocando pormenores óticos, porque o Mini continua a ser um sucesso de vendas no mundo inteiro, graças à sua pureza original e ao apelo rétro que ainda suscita. A receita seguida pela BMW para manter a chama viva foi diversificar a gama, introduzindo novos modelos como o SUV Countryman, a carrinha, ou aquele extraterreste com rodas que foi o Mini Roadster, provavelmente um dos maiores camafeus do design automóvel da última década. Mas, as pedras de toque da gama Mini continuam a ser as versões de 3 a 5 portas, que fui conhecer a Palma de Maiorca, juntamente com o novo cabrio.

Podendo escolher, escolhi o cabrio, que é sempre bom apanhar sol do mediterrâneo. Um Mini Cabrio Cooper S para descobrir o novo conteúdo tecnológico dos Mini, porque quanto à forma, estamos conversados.

Pelas estrada de Palma de Maiorca com o novo Mini

As estradas de montanha, com o mar recortado em fundo azul, são o ecossistema ideal para explorar as capacidades dinâmicas do novo Mini Cooper S com um motor de 192 Cv. A diversão é garantida, porque o carro preserva todos o atributos de condução. Rápido na resposta, ágil e terrivelmente sensitivo, com uma suspensão que não faz grandes concessões ao conforto e se concentra na eficácia e segurança com que podemos atacar uma curva.

Uma das grandes novidades desta geração é a caixa automática de dupla embraiagem com 7 velocidades que é a que tenho sob ordens das patilhas no volante do Mini que tenho nas mãos. Uma caixa rápida e que não hesita em disponibilizar o melhor regime para cada momento da condução. Uma sequência de curva/contracurva de bom e escorregadio piso e o Mini agarra-se ao asfalto, parecendo ser uma extensão da vontade do condutor. Obviamente que este é o Cooper S e por isso as sensações de condução são amplificadas. Mas a gama de motores é bastante extensa e completa: Quatro motores a gasolina com potências entre os 75 Cv e os 192 Cv, e três versões a Diesel com níveis de potência a oscilar entre os 95 Cv e os 170 Cv da versão SD. A Mini garante que reviu os motores para os tornar 5 por cento mais eficientes e poupadinhos. Se o fez, como acredito, fez sem prejuízo das performances, pelo menos no caso deste espevitado e envolvente Cooper S, um parque de diversões sobre rodas. Diversão que aumenta à medida que subimos de regime numa estrada de montanha ou subimos o volume do sistema de som da Harman Kardon, uma das novidades do novo pacote tecnológico da Mini, que integra ainda um renovado e complicadinho sistema de infotainement com ecrã táctil de 6,5 polegadas com ligação USB e Bluetooth, bem como um sistema de carregamento por indução do smartphone, para poder meter a rolar aquela playlist que melhor serve o prazer de condução a céu aberto de um Mini Cooper S Cabrio. Eu cá vou ao som de Beatles, por maioria de razões, porque tudo acaba, menos o Mini e os Beatles.

Ficha técnica

Mini Cooper S Cabrio

Motor 2.0 Turbo

Potência 192 Cv

0-100 km/h 7,2 segundos

Vel. Máxima 230 km/h

Consumo médio 6,3 l/100 km

Preço 35 550 euros